Acidente no Golfo do México teria sido erro humano

Documento obtido pelo iG faz análise do incêndio da plataforma Deepwater Horizon e mostra fotos inéditas do acidente

Natasha Madov, iG São Paulo |

Segundo documento anônimo em inglês, que está circulando pelo meio petrolífero e ao qual o iG teve acesso, o desastre ambiental no Golfo do México ocorreu devido a uma falha técnica associada a erro humano: óleo ou gás teriam entrado no revestimento da tubulação do poço, e a tripulação teria demorado a acionar os equipamentos de segurança, que impediriam que os fluidos chegassem à plataforma sem controle e provocassem o incêndio. As chamas da plataforma chegaram a 90 metros de altura e podiam ser vistas a uma distância de 56 quilômetros. (Veja galeria abaixo)

A BP ainda não se pronunciou oficialmente sobre as causas da explosão ou sobre esta explicação que circula entre técnicos do setor petrolífero.

Reprodução
Foto do documento mostra momento em que a plataforma afunda no mar do Golfo do México
O documento, que também traz fotos inéditas do acidente, afirma que a Deepwater Horizon é uma plataforma operada pela Transocean (e arrendada até 2013 pela empresa britânica BP), que custou 350 milhões de dólares para ser construída, em 2001, e custará o dobro para ser substituída. Diz tratar-se uma das plataformas mais modernas e com um excelente histórico de segurança.

Plataformas como a Deepwater Horizon não são ancoradas no fundo do mar, são flutuantes, o que permite que trabalhem em profundezas de água de até 3.000 metros. Plataformas deste tipo usam um complicado sistema de posicionamento, que inclui motores e GPS, para mantê-las sempre na mesma posição.

De acordo com especialistas ouvidos pelo iG , quando este sistema falha, no caso de uma falta de energia, ela se afasta do riser, o cano que a liga à cabeça do poço, e este se arrebenta. São as duas piores coisas que podem acontecer a uma plataforma.

Foi o que aconteceu à Deepwater Horizon. Em 20 de abril, a plataforma pegou fogo, causando a morte de 11 funcionários. Dois dias depois, a plataforma afundou, a 80 quilômetros da costa do estado americano da Louisiana.

Até ontem (quarta-feira), haviam sido descobertos dois vazamentos de petróleo cru no riser que desde o acidente está no fundo do mar. Mas foi confirmado um terceiro vazamento no mesmo riser na tarde de ontem, que elevou as estimativas do volume de petróleo vazado de mil barris por dia, para cinco mil. Se o óleo chegar ao litoral da Louisiana, o que pode acontecer já nesta sexta-feira, os danos ecológicos podem superar o acidente do Exxon Valdez , de 1989.

O uso de robôs submarinos para conter o vazamento até agora não foi bem sucedido, diz o documento, que contém fotos inéditas do incêndio e do afundamento da plataforma (veja galeria abaixo). Fogo foi ateado à parte da mancha de óleo, e a Guarda Costeira está tentando conter o resto antes que chegue à terra. Outra alternativa para estancar o óleo seria aproximar uma nova plataforma, abrir um poço vizinho, fazer uma comunicação entre os dois e tampar o poço original com um fluido pesado. Mas esta seria uma operação que poderia demorar meses.

A Louisiana declarou estado de emergência esta tarde devido ao vazamento. Os custos dessa operação estão chegando a 6 milhões de dólares por dia, informa a BP.

Veja abaixo na galeria as fotos do relatório obtido pelo iG :

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG