Tatu-canastra: o engenheiro do ecossistema

Por BBC Brasil |

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Tocas da espécie servem como habitat e abrigo para outros animais, como tamanduás, jaguatiricas e aves

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Tatus-canastras, ou Priodontes maximus, são verdadeiros "engenheiros do ecossistema", afirmam pesquisadores que descobriram que suas tocas servem como habitat e abrigo para outras espécies.

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O projeto 'Tatu-Canastra', feito no Pantanal, durou dois anos, e foi liderado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE) e pelo Royal Zoological Society da Escócia. O estudo pretende entender mais sobre esses animais que gastam 75% de seu tempo no subsolo em tocas escavadas por suas garras impressionantes.

Tatu-canastra do lado de fora de sua toca. Foto: Kevin SchaferVinte e quatro espécies diferentes utilizaram as casas dos tatus para diversos motivos, como esta jaguatirica que caçava lagartos na entrada da toca. Foto: Pantanal Giant Armadillo ProjectUma família de quatis também foi fotografada procurando por sua presa em um monte de areia na entrada da toca do tatu. Foto: Pantanal Giant Armadillo ProjectDiferentes espécies de aves, como a seriema, a gralha e o mutum foram flagrados pelas câmeras. Foto: Pantanal Giant Armadillo ProjectUm guaraxaim se refugia em uma toca de tatu-canastra. Foto: Pantanal Giant Armadillo ProjectGrandes mamíferos, como esses dois pumas, escolheram a toca como local de descanso. Foto: Pantanal Giant Armadillo ProjectPesquisadora observou o raro cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas utilizando 13 diferentes tocas do tatu-canastra para se abrigar em um dia na Amazônia peruana. Foto: Renata Leite PitmanUma anta, acompanhada por uma gralha cinza, também foi registrada descansando sobre o monte de areia formado após a escavação da toca do tatu. Foto: Pantanal Giant Armadillo ProjectPesquisadores registraram javalis, queixada, e caititus se esfregando no monte de areia quando o solo ainda estava fresco e úmido após a escavação. Foto: Pantanal Giant Armadillo ProjectImagens mostram cutias entrando e saindo das tocas, as vezes em dupla. Foto: Pantanal Giant Armadillo ProjectCaititus também foram observados dentro das tocas do tatu-canastra, diz Arnaud Desbiez, autor do estudo e pesquisador do Royal Zoological Society de Escócia. Foto: Pantanal Giant Armadillo ProjectNo total, outras três espécies de tatu foram registradas usando a toca por períodos contínuos. Eles incluíram o tatu-galinha, o tatu de rabo mole e o tatupeba. Foto: Pantanal Giant Armadillo ProjectTamanduás-mirins tiveram as estadias mais prolongadas na toca do tatu-canastra. Foto: Pantanal Giant Armadillo Project

Os cientistas usaram câmeras sensíveis ao movimento, entre 2010 e 2012, e registraram 24 espécies diferentes, utilizando as "casas" dos tatus para diversos motivos.

Entre as espécies, os pesquisadores registraram mamíferos, entre eles o javali, o puma, o quati e a jaguatirica, e aves, como a seriema, a gralha e o mutum.

No total, outras três espécies de tatu foram registradas usando a toca por períodos contínuos. Eles incluíram o tatu-galinha, o Cabassous unicinctus (popularmente conhecido como tatu de rabo mole comum), e o tatupeba.

As tocas dos tatus-canastra podem ter até 5 metros de profundidade. Renata Leite Pitman foi a primeira pesquisadora a documentar o papel dos tatus-canastra como engenheiros do ecossistema, na Amazônia, em 2004.

"É incrível ver como uma espécie tão reservada pode desempenhar um papel tão importante dentro da comunidade ecológica", disse o coordenador do projeto Arnaud Desbiez, do Royal Zoological Society da Escócia. Ele espera que a revelação sobre o papel fundamental desses animais nos ecossistemas resulte em uma maior proteção da espécie.

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