Planeta leva um ano e meio para regenerar recursos consumidos anualmente

Relatório da Ong ambientalista WWF mostra que houve declínio de 30% da vida selvagem mundial desde 1970

iG São Paulo |

AFP
Novos prédios sendo construídos em Doha, no Qatar
A crescente população mundial e o consumismo ameaçam a saúde do planeta, alerta a organização ambientalista Fundo Mundial para a Natureza (WWF). A demanda por recursos naturais se tornou insustentável e exerce uma pressão "tremenda" sobre a biodiversidade do planeta, destaca a organização em um estudo publicado nesta terça-feira (15).

O relatório Planeta Vivo ('Living Planet Report') destaca que com o atual ritmo de consumo, "leva 1,5 ano para a Terra regenerar os recursos renováveis consumidos pelos seres humanos e absorver os resíduos de CO 2 que eles produzem a cada ano". O Relatório Planeta Vivo foi produzido pelo WWF em parceria com o ZSL e a Global Footprint Network.

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"Estamos vivendo como se tivéssemos um planeta extra à nossa disposição", disse Jim Leape, diretor-geral do WWF Internacional.

A pesquisa, compilada a cada dois anos, reportou uma redução média de 30% na biodiversidade desde 1970, chegando a 60% nas regiões tropicais, duramente afetadas.

O declínio foi mais rápido em países de baixa renda, "demonstrando como os países mais pobres e vulneráveis subsidiam o estilo de vida dos países mais ricos", destacou o WWF.

Em todo o mundo, cerca de 13 milhões de hectares de florestas foram peridas todo ano entre 2000 e 2010.

"Uma demanda sempre ascendente por recursos de parte de uma população crescente põe uma enorme pressão sobre a biodiversidade do nosso planeta e ameaça nossa segurança, saúde e bem estar futuros", informou o organismo.

Necessidade de dois planetas em 2030
Caso o mundo não resolva o problema, até 2030 seriam necessários dois planetas Terra para sustentar a atividade humana, disse o WWF ao lançar seu relatório bienal sobre a biodiversidade e o meio ambiente, chamado "Relatório Planeta Vivo 2012".

Mas, segundo a entidade, os governos mundiais não estão no caminho para definirem um acordo para a preservação dos recursos naturais durante a cúpula do desenvolvimento sustentável do mês que vem no Brasil, conferência conhecida como Rio+20.

"Não acho que alguém conteste que não estamos nem perto de onde deveríamos a um mês da conferência em termos do progresso das negociações e de outros preparativos", disse em Genebra o diretor-geral da WWF Internacional, Jim Leape.

"Acho que todos nós estamos preocupados de que os países negociando no sistema da ONU um resultado para o Rio ainda não demonstraram disposição de realmente intervir para enfrentar esses desafios. Essas negociações ainda estão claramente emaranhadas."

"Este relatório é como um check-up planetário e os resultados indicam que temos um planeta muito doente", alertou Jonathan Baillie, diretor do programa de conservação da Sociedade Zoológica de Londres, que co-produziu o relatório, em conjunto com a organização Global Footprint Network, que elabora a pegada ecológica.

Países e consumo

O relatório do WWF citou o Qatar como o país com a maior pegada ecológica, seguido dos vizinhos Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos. O Brasil aparece na 56ª posição com uma pegada ecológica de 2,9 hectares  globais  por habitante, índice próximo à média global  que é de 2,7 hectares globais por habitantes.

Para se ter uma ideia, a pegada ecológica do Qatar é próxima de 12 hectares globais por habitante. A pegada ecológica é um instrumento de medição do uso de recursos naturais. Quanto menor é a pegada ecológica de uma nação, melhor é o uso que ela faz de seus recursos naturais.

Veja a cobertura completa sobre a conferência Rio+20 , que acontece em junho

Dinamarca e Estados Unidos completam o ranking dos 5 primeiros, segundo cálculo com base na comparação de fontes renováveis consumidas contra a capacidade de regeneração do planeta.

O relatório revelou que países de alta renda têm uma pegada ecológica em média cinco vezes maior do que a de países de baixa renda. Segundo a pesquisa, a pegada ecológica dobrou de tamanho em todo o planeta desde 1966.

O relatório é publicado às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20 , a quarto maior cúpula sobre o tema realizada desde 1972, e que será celebrada em junho no Rio de Janeiro.

O WWF quer ver sistemas de produção mais eficientes que possam reduzir a demanda humana por terra, água e energia e uma mudança na política governamental que medisse o sucesso de um país para além do Produto Interno Bruto (PIB).

Mas o enfoque imediato precisa estar na redução drástica da pegada ecológica dos países de alta renda, particularmente sua pegada de carbono, destacou o WWF.

(Con informações da AFP e Reuters)

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