Evolução do cérebro dos mamíferos começou pelo olfato

Cientistas reconstruíram fósseis de ancestrais desses animais e concluíram que o sentido mais aguçado iniciou a mudança

Alessandro Greco, especial para o iG São Paulo | 19/05/2011 15:01

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Foto: Science/AAAS Ampliar

Reconstituição dos dois fósseis: anatomia do crânio mostra capacidade aguçada de olfato

Paleontólogos americanos afirmam que a reconhecida complexidade do cérebro dos mamíferos, a mais complexa máquina já criada pela natureza, é responsabilidade de um dos cinco sentidos, o olfato. A descoberta foi descrita nesta quinta-feira (19), em um estudo que detalha a reconstrução de fósseis de duas espécies ancestrais de mamíferos, que concluiu que o senso aguçado de olfato foi o que iniciou a evolução do cérebro.

O resultado da pesquisa, publicada no periódico especializado Science, surpreendeu os autores do estudo. “Muita atenção tem sido dada a dentes, mandíbulas e formas de alimentação nos primeiros mamíferos. Ver que o sistema olfativo evoluiu tão claramente foi inesperado”, afirmou ao iG Timothy Rowe, principal autor do artigo, da Universidade do Texas em Austin, Estados Unidos.

A evolução do cérebro dos mamíferos, segundo Rowe e colegas, aconteceu em três etapas, e a segunda responsável por ela é mais inesperada ainda do que a primeira: a pelagem. Segundo eles, inicialmente os pêlos não eram utilizados para aquecer, e sim como sistemas de navegação que permitiram aos ancestrais dos mamíferos navegar por entre fendas e evitar perigos, e depois levaram a formação de sentidos complexos no cérebro deles. Já o terceiro e último responsável pela evolução (não tão inesperado assim) foi a habilidade dos mamíferos de fazer movimentos complexos usando os sentidos.

Para chegar a esta conclusão Rowe e colegas reconstruíram o crânio de dois ancestrais dos mamíferos, o Morganucodon oehleri e o Hadrocodium wui, que viveram há cerca de 190 milhões de anos. Eles recriaram em três dimensões seus crânio e perceberam que a cavidade nasal e as áreas relacionadas ao olfato estavam aumentadas, juntamente com as regiões de processamento da informação relacionadas à ela – duas características que indicam um aumento na capacidade olfativa. E, ao compará-los com fósseis dos ancestrais dos répteis, verificaram que eles chegavam a ser 50% maiores. “Vamos continuar a estudar a evolução do cérebro e dos sistemas sensoriais em mamíferos e outros vertebrados. Alguns dos insights desses estudos podem possibilitar que construamos narizes eletrônicos com diferentes funções”, afirmou Rowe.

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