Descoberto "mar" de plástico no Oceano Atlântico

Duas pesquisas independentes encontraram grande quantidade de lixo plástico flutuando no Hemisfério Norte entre Caribe e Açores

Isis Nóbile Diniz, especial para o iG |

© AP
Pedaços de plástico encalham na ilha portuguesa Açores.
Pesquisadores descobriram mais um “redemoinho” de plástico à deriva em um oceano Atlântico. O aglomerado de pequenos e minúsculos pedaços de plásticos flutuantes foi avistado entre as Bermudas, no Caribe e os Açores. A descoberta relembra a “Sopa de Plástico”, uma área maior que a Bahia, repleta de lixo plástico que flutua no Oceano Pacífico.

Desde 1970, pesquisadores relatam o acúmulo do material no norte do Oceano Atlântico. Este ano, a bordo de um veleiro, o casal de pesquisadores Anna Cummins e Marcus Eriksen, patrocinados pela Fundação de Pesquisa Marinha Algalita, cruzaram o Mar dos Sargaços, entre Bermudas e Açores, coletando amostras da superfície do mar a cada 160 km.

Todas as vezes que puxaram a rede de arrasto, ela vinha repleta de lixo. Algas estavam misturadas com garrafas, caixas e outros destroços. Até um peixe foi capturado vivo dentro de um pote de plástico. No entanto, o lixo mais frequente é formado por inúmeras partículas de plástico, muitas vezes com menos de um centímetro de comprimento.

© AP
Pesquisadores americanos encontram peixe vivo dentro de recipiente plástico em alto mar.
Em outra pesquisa de 22 anos, coordenada pela oceanógrafa da Associação de Educação Marinha, localizada em Massachusetts (EUA), alunos de graduação coletaram mais de seis mil amostras do mar desde Canadá até o Caribe. Em todo o estudo, mais de 64 mil pedaços de plástico foram coletados. Eles apareciam em 62% das amostras do mar. Na região do oceano entre Cuba e Washington, a pesquisadora disse que os estudantes encontraram a maior concentração de plásticos.

O estudo mostrou que a maioria do plástico é polietileno, polipropileno e poliestireno - usados para fazer itens de consumo como jarras, sacos plásticos e canudinhos. A diretora executiva da Fundação de Pesquisa Marinha Algalita, Marieta Francis, disse em entrevista ao iG que é difícil limpar esse acúmulo de plástico no mar. “São peças pequenas que, possivelmente, estão espalhadas por todos os oceanos do mundo. Precisaríamos de quantidade infinita de dinheiro, tempo e equipamento”, conta Marieta. “A solução é parar de jogar lixo na rua ou na praia, porque ele acaba no mar”, afirma.

São produzidos por volta de 137 bilhões de quilos de plástico todos os anos no mundo. De acordo com documento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), estima-se que 80% fragmentos marinhos são provenientes dos continentes. O PNUMA ainda afirma que 267 diferentes espécies sofrem por se enroscar ou ingerir fragmentos de lixo como tartarugas, leões marinhos, peixes, pássaros, foca e baleias.

Ambos os estudos devem continuar, este ano, para coletar mais amostras da parte leste da região. O objetivo é tentar mapear a fronteira de lixo mais distante do continente americano. “Ninguém sabe o seu tamanho, pois está em constante movimento devido às correntes oceânicas”, afirma Marieta.

    Leia tudo sobre: plásticolixopoluiçãoOceano Atlântico

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG