Cometas podem ter trazido água para a Terra

Novos estudos retomam conceito datado da década de 1960, e abandonado após sonda passar pelo cometa Halley em 1986

Alessandro Greco, especial para o iG |

Nasa
Cometa Hartley, fotografado pela sonda EPOXI, da Nasa: composição química da água semelhante à terrestre
A origem da água na Terra sempre gerou debate entre os pesquisadores. Nos anos 1960, imaginava-se que os cometas poderiam ser a origem da água no planeta, mas dados obtidos pela sonda espacial Giotto ao passar pelo cometa Halley em 1986 alteraram essa percepção. No entanto, uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (5) no periódico científico Nature retoma a visão da década de 1960, considerada ultrapassada.

Liderado por Paul Hartogh do Instituto Max Planck na Alemanha, o trabalho analisou pela primeira vez a relação entre a quantidade de deutério (também chamado hidrogênio pesado) e hidrogênio em um cometa da chamada família de Júpiter, um grupo dos corpos celestes que teve sua órbita modificada pelo planeta gigante.

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“Observamos pela primeira vez um cometa desta família que, acredita-se, tenha se originado no cinturão de Kuiper [que começa depois de Netuno]. Descobrimos que a relação entre deutério e hidrogênio no cometa que observamos (o 103P/Hartley 2) é exatamente a mesma que existe nos oceanos da Terra. Logo, sim, os cometas podem ser mesmo a fonte de água na Terra ou ao menos podem ser responsáveis por boa parte dela”, explicou Hartogh ao iG .

Pode parecer estranho, mas, no início, a Terra era um local seco devido às altas temperaturas que faziam com que substâncias voláteis evaporassem. Até agora, acreditava-se que asteroides haviam cumprido a missão de trazer água a maior parte da água para a Terra ao colidir com ela há cerca de 3,9 bilhões de anos – a relação deutério/hidrogênio dos asteroides se encaixa perfeitamente na que é encontrada na Terra.

Os cometas haviam sido deixados de lado pois esta mesma relação não batia para eles. A questão toda é que os seis cometas analisados até este estudo vinham de uma outra região do sistema solar, da chamada nuvem de Oort (uma região que está mais distante ainda do que o cinturão de Kuiper). “Nossa descoberta vai ajudar, por exemplo, a aperfeiçoar nosso modelo de evolução do sistema solar”, afirmou Hartogh. E completou: “O próximo passo da pesquisa será tentar detectar essa relação deutério/hidrogênio em um número maior de cometas, especialmente os da família de Júpiter”.

Os dados analisados no estudo foram obtidos pelo observatório espacial Herschel há cerca de um ano quando o Hartley 2 passou “perto” da Terra e permitiu que os instrumentos dele captassem as informações.

(Com reportagem de Denise Barros)

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