China lança o primeiro módulo de sua estação espacial

Foguete colocou em órbita o módulo não-tripulado Palácio Celestial no deserto de Gobi, que será acoplado a outra nave em 2 meses

AFP |

AFP
Foguete contendo o módulo espacial foi lançado às 21H15 (10H15 de Brasília) de sua base no deserto de Gobi
A China lançou nesta quinta-feira (29) seu primeiro módulo experimental como parte de um programa que pretende dar ao país uma estação espacial permanente até 2020.

O foguete Longa Marcha 2F, que transporta a nave Tiangong-1 (Palácio Celeste), decolou no horário previsto, às, da base de Jiuquan (noroeste), no deserto de Gobi.

Leia também:
China se prepara para lançar módulo espacial

China prevê construção de estação espacial até 2020
O primeiro chinês chegará à Lua em 2025, diz agência espacial do país


O lançamento aconteceu a dois dias da festa nacional chinesa, celebrada em 1º de outubro.

O presidente Hu Jintao estava no Centro de Controle de Voos Espaciais de Pequim. Também acompanharam o lançamento o primeiro-ministro Wen Jiabao e o vice-presidente Xi Jinping.

Dez minutos depois do lançamento, Tiangong-1 se separou sem problema, a 200 quilômetros da Terra, anunciou a agência oficial Xinhua. Em seguida, o módulo abriu os dois painéis solares.

Menos de 30 minutos após o lançamento, Chang Wanquan, diretor dos programas espaciais tripulados chineses, anunciou que a operação foi um "sucesso".

O canal de notícias estatal CCTV dedicou uma programação especial à entrada em órbita do módulo, com reportagens nacionalistas.

Ano passado, a China aproveitou a data de seu feriado nacional para lançar uma sonda lunar , Chang'e-2, como parte do programa de voos espaciais tripulados iniciado há 20 anos. Em 2003, o país se tornou a terceira nação a enviar homens ao espaço, depois da antiga União Soviética e dos Estados Unidos.

Ao módulo, um protótipo que terá vida útil de dois anos no espaço, será acoplado dentro de um mês a nave não tripulada Shenzhou VIII. Em seguida virão duas com pelo menos um astronauta a bordo, a Shenzhou IX e a Shenzhou X.

A Tiangong-1 girará em uma órbita a 350 km de altura, superior à da Estação Espacial Internacional (ISS), e depois descerá até 343 km para o acoplamento com a nave Shenzhou VIII.

A tecnologia de acoplamento espacial é complexa porque as duas naves, situadas em uma mesma órbita e que se movimentam a 28.000 km/h ao redor da Terra, devem se aproximar progressivamente antes da união para evitar que se colidam.

Como para o primeiro voo espacial tripulado de 2003, a China está em uma fase na qual tenta recuperar na área de tecnologia o tempo perdido.

"Os chineses utilizam sistemas de acoplamento idênticos aos sistemas russos porque o programa Shenzhou se assemelha muito à tecnologia do tipo Soyuz", declarou Isabelle Sourbès-Verger, especialista no programa espacial chinês no Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) francês.

Antes de construir até 2020 uma estação orbital como a russa Mir ou a ISS, na qual uma tripulação pode viver de forma autônoma durante vários meses, a China deve fazer outros testes, antes da saída de órbita da Tiangong-1 em 2013.

"Se os chineses demonstrarem que têm uma capacidade de acoplamento que funciona bem, isto os colocará na potencial posição de poder um dia aspirar a ter acesso à Estação Espacial Internacional", afirmou a cientista francesa.

Mas para Morris Jones, analista australiano de questões espaciais, "os maiores problemas dos chineses para participar na ISS são de ordem político. O governo dos Estados Unidos é contrário".

    Leia tudo sobre: espaçochinaestação espacial

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG