Bebês bilíngues têm capacidade de aprendizagem prolongada

Novo estudo indica que cérebro de bebês bilíngues permanece mais tempo sensível ao aprendizado da segunda língua

EFE |

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Pesquisa levou em conta o tempo de exposição dos bebês ao vocabulário de dois idiomas
Bebês criados em famílias bilíngues têm maior capacidade de prolongar suas habilidades de aprendizagem linguística em comparação com as demais crianças, indica um estudo do Instituto de Ciências do Cérebro e Aprendizagem da Universidade de Washington, publicado nesta segunda-feira (29) pelo centro.

Estudos prévios já mostraram que as crianças têm habilidades especiais para aprender um segundo idioma, mas que esta capacidade começa a desaparecer a partir do primeiro ano de idade.

A pesquisa divulgada nesta segunda-feira, que levou em conta o tempo de exposição dos bebês ao vocabulário de dois idiomas - inglês e espanhol -, constatou que essas crianças tem prolongado o tempo em que são especialmente sensíveis à aprendizagem de uma segunda língua.

"O cérebro bilíngue é fascinante, já que reflete as capacidades dos seres humanos para o pensamento flexível. As crianças bilíngues aprendem que os objetos e eventos no mundo têm dois nomes", disse Patricia Kuhl, coautora do estudo e codiretora do Instituto de Ciências do Cérebro e Aprendizagem da universidade.

Os cientistas que trabalharam neste estudo pesquisam os mecanismos cerebrais que contribuem para a habilidade dos bebês na aprendizagem de idiomas com a esperança de que os resultados possam impulsionar o bilinguismo entre os adultos.

Estudos prévios de Kuhl mostraram que entre o oitavo e o décimo mês de idade, os bebês monolingues são cada vez mais capazes de distinguir os sons da fala de sua língua materna, enquanto sua capacidade para distinguir sons de uma língua estrangeira diminui.

Por exemplo, entre os oito e dez meses de idade, os bebês expostos ao inglês detectam melhor a diferença entre os sons "r" e "l" que os bebês japoneses, que não estão tão expostos a ouvir esses sons em seu idioma.

"O cérebro infantil se sintoniza com os sons da língua durante este período sensível no desenvolvimento, e estamos tentando pesquisar exatamente como isso acontece. (...) Saber como a experiência molda o cérebro nos diz algo que vai muito além da linguagem", destacou Kuhl.

Esta diferença no desenvolvimento sugere que os bebês bilíngues "podem ter um calendário diferente para se comprometer neurologicamente com uma linguagem" em comparação com os bebês monolingues, ressaltou Adrián García-Sierra, autor do estudo.

"Quando o cérebro está exposto a dois idiomas, e não só um, responde adaptando-se a permanecer aberto durante mais tempo antes de mostrar o estreitamento da percepção que as crianças monolingues costumam mostrar no final do primeiro ano de vida", explicou García-Sierra.

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