Análise contradiz estudos anteriores e inviabiliza possibilidade de micróbios produtores do gás no planeta

O jipe-robô Curiosity não identificou nenhum sinal de gás metano na atmosfera de Marte. De acordo com cientistas da Nasa, o resultado do estudo põe na berlinda estudos anteriores que mostravam a possiblidade de vida microbiana no planeta vermelho. A ausência de metano inviabiliza a possibilidade de microorganismos capazes de produzir o gás estarem vivendo abaixo da superfície do planeta .

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Desde que pousou na cratera Gale no ano passado, o jipe-robô Curiosity coletou seis vezes amostras do ar de Marte em busca de partículas de metano.

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Na Terra, 95% do gás metano é um subproduto de vida, sendo liberado quando animais digerem alimentos ou quando plantas entram em decomposição. Formas de metano produzido sem a biologia também são possíveis, embora sejam muito mais raras.

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"Este resultado nos ajudará a direcionar os nossos esforços para examinar a possibilidade de vida em Marte", disse Michael Meyer, cientista-chefe do programa de exploração de Marte da Nasa. "Isso reduz a probabilidade de micróbios produtores de metano na atualidade, mas é endereçado a apenas um tipo de metabolismo microbiano. Como sabemos, existem muitos tipos de micróbios terrestres que não geram metano."

O gás metano, o hidrocarboneto mais abundante no sistema solar, é formado por quatro átomos de hidrogênio ligados a um átomo de carbono. Estudos anteriores haviam apontado concentrações localizadas de metano em Marte. Isto despertou interesse pela possibilidade de uma fonte biológica no planeta vermelho. Porém, estes estudos foram baseados a partir de observações feitas da Terra e da órbita de Marte.

“Não conhecemos uma maneira que faça o metano desaparecer rapidamente da atmosfera”, disse Sushil Atreya, pesquisador da Universidade de Michigan e um dos autores do estudo publicado nesta quinta-feira (19) no periódico científico Science.

"O metano é persistente. Ele duraria centenas de anos na atmosfera de Marte. Sem uma maneira rápida de tirá-lo da atmosfera, as nossas medições indicam que não pode haver tanto metano sendo colocado na atmosfera por qualquer mecanismo, seja a biologia, geologia , ou pela degradação ultravioleta , resultado da queda de meteoritos ou partículas de poeira interplanetária. "

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