Burocracia italiana ameaça preservação de Pompeia

Por The New York Times |

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Especialistas afirmam que muitos dos desabamentos recentes na cidade foram resultados de má drenagem e da erosão lenta da antiga argamassa

Gianni Cipriano/The New York Time
Vigas sustentam muro deteriorado da cidade de Pompeia

Destruída pela erupção do Vesúvio em 79 D.C., a cidade de Pompeia sobreviveu a escavações a partir do século 18 e tem lidado estoicamente com desgaste resultado da visita de milhões de turistas.

Agora, seus afrescos em tons escuros, paredes de tijolos e mosaicos de azulejos elegantes parecem estar em risco de uma ameaça ainda maior: a burocracia do Estado italiano.

Nos últimos anos, desabamentos no local têm alarmado ambientalistas, que advertem que esta antiga cidade romana está perigosamente exposta aos elementos - e é mal coberta pela burocracia, a falta de planejamento estratégico e as limitações dos funcionários que administram o local.

O declínio do local chamou a atenção da União Europeia, que começou um esforço de US $ 137 milhões em fevereiro, que visa equilibrar conservação com acessibilidade para os turistas. Chamado de o Grande Projeto de Pompeia, o esforço também busca promover a economia baseada na cultura em uma área dominada pela máfia napolitana.

Comprovando este fato, um dia antes do início do projeto em fevereiro, a polícia prendeu o chefe de uma empresa de construção contratada para modificar um teatro antigo em Pompéia, acusado de aumentar os custos e violar os termos de outro projeto de preservação. E na semana passada, uma equipe de agentes de polícia e inspetores de trabalho realizaram uma inspeção surpresa para se certificarem de que a máfia local não havia forçado seu caminho para tomar conta do trabalho de restauração.

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A nova estratégia para preservar Pompeia será menos focada na restauração de monumentos individuais do que em manutenção integral, incluindo a melhoria da coleta e eliminação de água. Conservadores disseram que muitos dos desabamentos recentes foram resultados de má drenagem e da erosão lenta da antiga argamassa.

A conservação do local tem sido dificultada por um congelamento das contratações, especialmente de restauradores qualificados, mas também dos trabalhadores de manutenção. "Foi uma situação de muitos caciques para poucos índios” disse Valerio Papaccio, um arquiteto que atualmente está supervisionando a preservação do local.

De acordo com o novo projeto de obras, o Ministério da Cultura contratou mais arqueólogos e arquitetos que visam o futuro.

"O financiamento da UE é um bom ponto de partida para superar esta situação, mas não é o suficiente para salvar o local", disse Teresa Elena Cinquantaquattro, superintendente do local desde 2010. "As novas contratações são vitais, e ao programar as restaurações cada ano poderemos superar a situação de emergência."

Ela disse que os críticos têm ignorado os desafios de realizar a manutenção de um grande local, ao ar livre, e que muitos funcionários que trabalham duro trabalham em silêncio e no anonimato para fazer com que o local continue ativo. "Não nego que existem problemas, mas também temos exemplos do trabalho que foi dedicado a este local até agora", disse ela. "Pompeia é tão grande que exige um enorme esforço."

Autoridades disseram que o Grande Projeto de Pompeia tem uma melhor chance de suceder onde outros planos falharam pois é uma estratégia abrangente que envolve três ministérios: o da Cultura, do Interior e de Coesão Territorial. Oficiais de desenvolvimento econômico examinaram o potencial de investimento das propostas, enquanto as autoridades do Ministério do Interior garantiram que eles serão concedidos a empresas sem vínculos com o crime organizado.

Há também pequenos avanços para introduzir patrocínio privado no local, da mesma forma que o Instituto Packard Humanities fez com Herculano nas proximidades, também enterrada pelo Vesúvio, um local exemplar para a preservação arqueológica.

Mas alguns observadores veteranos duvidaram se a Itália será capaz de terminar o trabalho. "A cidade foi escavada a um ponto em que não pode ser preservada adequadamente, de modo que devemos enterrar partes dela", disse Stefano De Caro, diretor geral do Centro Internacional para Estudos de Preservação e Restauração de Propriedades Culturais. "Desta forma, não está funcionando, e se mantermos as coisas como elas estão, certamente perderemos este local histórico."

Por Rachel Donadio e Elisabetta Povoledo

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