Imagens 3D mostram que canais foram causados por inundações fortes, em um período em que se considerava que o planeta fosse seco como um deserto

A imagem mostra a região estudada pela sonda, com os canais em destaque no quadrado branco
Nasa/MOLA Team/Smithsonian Instiution
A imagem mostra a região estudada pela sonda, com os canais em destaque no quadrado branco

A superfície de Marte tem uma série de canais, que seriam uma prova de episódios de megainundações há milhões de anos, revelou um estudo nesta quinta-feira (7)

Os cientistas encontraram a primeira prova de canais subterrâneos, aparentemente causados por inundações -- uma descoberta que deverá esclarecer o papel da água na história geológica do planeta.

Usando um radar a bordo da sonda Mars Reconnaissance, a equipe criou mapas 3D da região equatorial conhecida como Elysium Planitia e dos canais que correm por baixo destas planícies.

A pesquisa, publicada na edição desta semana do periódico científico Science, oferece uma nova perspectiva do subterrâneo marciano e investiga as evidências de inundações em uma época em que se imaginava que Marte era frio e seco como um deserto. Os canais continuam escondidos porque atividade vulcânica encheu a região de lava há milhões de anos. 

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Canais secos na superfície marciana foram vistos pela primeira vez pela sonda Mariber 9 em 1971. Observações posteriores da Viking sugeriram que os canais foram esculpidos por água, e missões a Marte desde então têm usado equipamentos sofisticados para conseguir imagens destes canais.

As imagens 3D do estudo desta semana já mudaram alguns conceitos dos cientistas: os canais são mais profundos do que o esperado, um sinal que as inundações foram maiores do que se imaginava.

O líder da pesquisa Gareth Morgan, do Insituto Smithsonian, diz que a origem destas inundações deve ter sido um reservatório profundo de água, e provavelmente elas foram causadas por uma erupção vulcânica.

O especialistas em Marte John Mustard, da Universidade Brown e que não esteve envolvido na pesquisa, disse que o novoestudo era significativo. "Mostra uma nova dimensão da evolução marciana," afirmou.

(Com informações da AP)

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