Ossos encontrados em território canadense mostram que características atuais dos animais podem ser adaptações para viver no frio, e não no deserto

Ilustra mostra aparência do camelo gigante que viveu há 3,5 milhões de anos no Ártico canadense
Julius Csotonyi
Ilustra mostra aparência do camelo gigante que viveu há 3,5 milhões de anos no Ártico canadense

Um grupo de pesquisadores canadenses anunciou na terça-feira (5) a descoberta de uma nova espécie de camelo gigante, já extinta, na região do Ártico canadense. O grupo descobriu cerca de 30 fragmentos fósseis na ilha Ellesmere, no território de Nunavut, e representa a ocorrência mais ao norte já vista dos primeiros camelos, cujos ancestrais se originaram na América do Norte há 45 milhões de anos.

"É uma descoberta importante porque traz a primeira prova de camelos vivendo no Álto Ártico," disse em comunicado Natalia Rybczynski, autora do estudo que relata o achado, publicado na na edição desta semana do periódico Nature Communications . "Aumentou o alcance da espécie na América do Norte em 1.200 quilômetros e sugere que a linhagem que deu origem ao camelo moderno pode ter sido originalmente adaptada para as condições das florestas árticas".

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Os fragmentos de tíbia de 3,5 milhões de anos precisaram de uma técnica especial para serem identificados. Características anatômicas mostravam que se tratava de um animal de casco, do grupo de bois, suínos e camelos, mas apenas após reconstruções em 3D e análises de colágeno dos fósseis, cujas características foram comparadas com diversas espécies de mamíferos, bem como um fóssil de camelo gigante de outro território canadense, o Yukon.

O colágeno dos ossos de Ellesmere se aproximava dos camelos modernos, em especial os dromedários (que têm apenas uma corcova) bem como o camelo gigante do Yukon, que é considerado um exemplar do gênero Paracamelus , o ancestral dos camelos atuais, o que reforça a teoria da origem norte-americana para o grupo.

"Talvez algumas das especializações vistas nos camelos modernos, como pés largos, olhos grandes e corcovas que armazenam gordura possam ser adaptações para viver em um ambiente polar," especula Natalia.

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