Entenda por que o meteorito causou tantos estragos na Rússia

Por AP | - Atualizada às

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Especialistas explicam os motivos que levaram ao grande número de feridos e a relação do evento com o asteroide que vai passar a 27 mil quilômetros da Terra nesta sexta

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Meteorito passa próximo à estrada na região de Kostanai

Um meteorito caiu no céu da Rússia nesta sexta-feira (15), causando uma onda de choque que quebrou janelas e feriu quase mil pessoas na região dos Montes Urais. Em Chelyabinsk, cerca de 1,5 mil km a leste de Moscou, a maior cidade afetada da região, houve pânico, pois as pessoas não sabiam o que estava acontecendo. Veja abaixo por que a rocha incandescente caiu no céu e entenda o motivo de tantos estragos e 500 feridos.

Imagens: Veja o vídeo do momento em que meteorito atravessa o céu da Rússia

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- Qual a diferença entre meteoros e meteoritos?
Meteoros são pedaços de rochas do espaço, normalmente provenientes de grandes cometas ou asteroides e que entram na atmosfera terrestre. Muitos são incandescentes por causa do calor da atmosfera. São raros os que suportam o choque ao entrar na atmosfera terrestre e se chocam com a crosta terrestre, estes são chamados de meteorito. Os meteoritos sempre atingem o solo com muita velocidade, mais de 30.000 quilômetros por hora, de acordo com a agência espacial europeia. Eles também liberam uma grande quantidade de energia.

- É comum meteoritos caírem do céu?
Especialistas afirmam que pequenos choques ocorrem de cinco a dez vezes por ano. Grandes impactos, como este na Rússia, são mais raros, costumam ocorrer a cada cinco anos, de acordo com Addi Bischoff, mineralogista da Universidade de Muenster, na Alemanha. Muitas destas quedas acontecem em locais inabitados e, portanto, não causaram ferimentos em humanos.

- O que causou os problemas na Rússia?
Alan Harris, cientista do Centro Aeroespacial Alemão, em Berlim, disse que a maior parte dos danos foi provocada pela explosão do meteoro quando ele entrou na atmosfera, A explosão causou uma onda de choque que quebrou o vidro das janelas e fez com que objetos voassem pelo ar num raio de vários quilômetros. No momento que os fragmentos atingiram o solo, eles eram muito pequenos para causar danos significativos em locais afastados do local de impacto, disse o cientista.

- Há alguma relação entre este evento e o asteroide que vai passar perto da Terra nesta sexta?
Não, isto é apenas uma coincidência cósmica. De acordo com o porta-voz a agência espacial europeia, Bernhard Von Weyhe, não há relação alguma entre o asteroide 2012DA14 e o meteorito na Rússia.

- Quando foi a última vez que ocorreu algo comparável ao meteorito que atingiu a Rússia?
Em 2008, astrônomos observaram a mancha de um meteoro vindo para a Terra cerca de 20 horas antes de ele entrar na atmosfera. Ele explodiu sobre o Sudão e causando dados desconhecidos. A maior queda de meteorito que se sabe foi o que caiu em Tunguska, também na Rússia em 1908. Porém, mesmo este meteorito, que era muito maior do que o que caiu sobre os Montes Urais, nesta sexta-feira, não feriu ninguém. Muitos cientistas acreditam que um meteorito muito grande pode ter sido responsável pela extinção dos dinossauros, há cerca de 66 milhões de anos. De acordo com essa teoria, o impacto teria lançado grande quantidade de poeira que cobriu o céu ao longo de décadas e alterou o clima da Terra.

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- O que cientistas podem aprender com o evento desta sexta-feira?
Bischoff afirma que cientistas e caçadores de tesouro provavelmente já estão correndo para encontrar pedaços do meteorito. Alguns fragmentos de meteoritos podem ser muito valiosos, chegando a custar mais de 670 dólares por grama, dependendo de sua composição. Como os meteoros têm permanecido praticamente inalterados durante bilhões de anos - ao contrário das rochas da Terra que foram afetadas pela erosão e surtos vulcânicas – cientistas têm interesse em estudar seus fragmentos para saber mais sobre as origens do universo.

- O que aconteceria caso o meteorito atingisse uma metrópole?
Cientistas torcem para que isto nunca aconteça, embora estejam se preparando para enfrentar tal evento. Von Weyhe, porta-voz da agência especial europeia afirma que especialistas da Europa, Estados Unidos e Rússia ainda discutem como monitorar potenciais ameaças antecipadamente e alertá-las. Porém, não espere uma missão no estilo hollywoodiano que tenha o intuito de lançar uma bomba nuclear para explodir um asteroide.

“Isto é um desafio global e precisamos encontrar uma solução em conjunto”, disse Weyhe. “Porém, de uma coisa estamos certos, o método usado por Bruce Willis no filme Armageddon, não funciona”.

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