Estudo genético explica por que cão é o melhor amigo do homem

Por Maria Fernanda Ziegler - iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Pesquisadores descobriram que capacidade de digerir amido pode ter tornado possível a domesticação dos cachorros

Åsa Lindholm
Cães conseguem digerir amido de modo mais eficientes que os lobos

Pesquisadores descobriram que as adaptações que permitiram com que cachorros conseguissem digerir carboidratos foram cruciais para a domesticação dos animais. Para chegar a esta conclusão, uma equipe de cientistas suecos comparou os genomas de cães e lobos e identificou 36 regiões com genes relacionados ao desenvolvimento cerebral e ao metabolismo do amido.

Leia mais: Estudo explica por que cães e lobos são tão diferentes

“Nossos resultados mostraram que estas adaptações nos ancestrais dos cães modernos permitiram uma dieta rica em amido, ao contrário da dieta carnívora dos lobos, e constituiram algo muito importante para o primeiro passo da domesticação de cão há cerca de dez mil anos”, disse Erik Axelsson, pesquisador do departamento de Bioquímica da Universidade de Uppsala e autor principal do estudo publicado esta semana no periódico científico Nature.

Axelsson explica que estudos anteriores afirmam que a domesticação dos cães começou quando lobos foram atraídos pelos restos de alimentos nos primeiros assentamentos humanos. A partir desta estratégia para se obter alimento começou um processo de seleção natural. O lobo se mostrou mais eficiente para se alimentar da carne e fugir com frequência quando os humanos se aproximavam.

Leia mais:
Cães conseguem entender as intenções de seus donos
Ter pets fez parte da evolução humana
Cavalos foram domesticados há 6 mil anos na Eurásia, diz estudo
Crânio de 33 mil anos seria de cão primitivo domesticado, diz estudo
Caverna revela registros antigos de animais domésticos

“Uma peça totalmente nova para este quebra-cabeça é a descoberta da digestão mais eficiente do amido pelos cachorros”, disse Axelsson. Para ele, isto indica que a eficiente alimentação de restos orgânicos deixados pelos humanos incluía ter um eficiente sistema para digerir os restos dos alimentos em um momento em que o ser humano iniciava a prática da agricultura, justamente com os cereais que compõem alimentos cheios de amido como o pão.

“Apenas os lobos que podiam fazer bom uso dos escassos restos de comida sobreviveram para se tornarem os ancestrais dos cachorros de hoje. Tanto as diferenças de comportamento quanto as diferenças digestivas se mostraram importantes neste processo”, disse.

Genética reflete comportamento
A diferença entre cães e lobos parece mesmo intrigar cientistas. Na semana passada uma pesquisadora da Universidade de Massachusetts em Amherst, nos Estados Unidos, publicou um estudo que analisou o comportamento de filhotes de cães e lobos. O estudo não envolvia análise genética, mas também pode observar diferença importantes entre os animais.

Kathryn Lord, pesquisadora que conduziu o estudo comportamental, concluiu que filhotes de cães e lobos começam a explorar o mundo de forma distinta durante o desenvolvimento. Ela afirmou que e isso explica porque lobos não conseguem ser domesticados.

Perguntado sobre o estudo de Kathryn, Axelsson afirmou que ele reafirma que existem muitas diferenças genéticas que afetam o desenvolvimento dos genes do sistema nervoso dos animais. “Os genes relacionados neste estudo são também genes que governam o desenvolvimento do cérebro. São sinais muito fortes que sugerem que as mutações nestes genes explicariam o que foi reportado no estudo de Lord”, disse.

Leia tudo sobre: cãesgenéticaanimaiscachorroscomportamento animal

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas