Veteranos expostos a bombas desenvolvem doença cerebral

Estudo feito em camundongos mostrou que explosões danificam tecidos do cérebro, descoberta traz implicações para política militar

The New York Times |

Cientistas que estudaram uma doença degenerativa do cérebro encontrado em atletas descobriram a mesma condição em veteranos expostos a dispositivos explosivos improvisados plantados em estradas no Iraque e no Afeganistão, concluindo que tais explosões causam lesões cerebrais muito semelhantes àquelas advindas de socos e confrontos esportivos.

Os pesquisadores também descobriram o que acreditam ser um mecanismo pelo qual as explosões danificam os tecidos do cérebro e desencadeiam a chamada encefalopatia traumática crônica, ou CTE, estudando seu efeito em camundongos. Os animais desenvolveram sinais da doença apenas duas semanas após uma única exposição simulada, disseram os pesquisadores.

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"O nosso estudo aponta de forma definitiva que há um problema orgânico e estrutural no cérebro associado com a exposição à explosão", disse o Dr. Lee E. Goldstein da Escola de Medicina da Universidade de Boston e principal autor do estudo, que foi publicado na quarta-feira, dia16 de maio, pela revista Science Translational Medicine.

O estudo é a mais forte evidência de que muitos veteranos com lesões cerebrais causadas por explosões poderão desenvolver doenças neurológicas em longo prazo - uma descoberta que, se confirmada, teria profundas implicações para a política militar, os veteranos e futuras pesquisas.

O estudo poderia ser um ponto de partida para o desenvolvimento de medidas preventivas para lesões cerebrais relacionadas a explosões, bem como terapias de medicamentos e testes diagnósticos para a CTE, uma doença incurável detectada apenas por autópsia.

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O estudo também parece poder alimentar um debate que já dura décadas sobre se os veteranos que lutam emocionalmente e psicologicamente depois de voltar da guerra sofrem de problemas psiquiátricos ou lesões cerebrais.

Goldstein e seu co-autor principal, Dr. Ann McKee, co-diretor do Centro para o Estudo da Encefalopatia Traumática da Universidade de Boston, reconhece que seu estudo demonstra que muitos desses veteranos provavelmente têm lesões cerebrais orgânicas que precisam de um tratamento adequado e compensações por deficiência.

Alguns especialistas questionaram as conclusões dos autores, dizendo que não haviam dados suficientes para concluir que a exposição a explosão leva diretamente ao desenvolvimento da CTE. McKee realizou autopsias em quatro veteranos apenas e três deles tinham ferimentos de múltiplas fontes na cabeça, o que torna difícil determinar as causas da doença, disseram.

Alguns críticos disseram que as diferenças anatômicas entre humanos e camundongos tornam os dados menos úteis. Embora reconhecendo alguns problemas na utilização de ratos, McKee afirmou que o uso dos animais ajudou a resolver problemas enfrentados pelos cientistas que estudam a CTE: pacientes humanos sofrem vários tipos de contusões, seja em acidentes de carro, esportes ou combates. Com os camundongos, os pesquisadores puderam garantir que os danos cerebrais se deviam exclusivamente à exposição a explosão.

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