Em "Moonrise Kingdom", Wes Anderson é pop, mas tem o que dizer

Longa-metragem inaugura festival e competição de Cannes; diretor diz que pensa em filmes como "companhias de teatro"

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Divulgação
O casal de garotos fujão em "Moonrise Kingdom"
O Festival de Cannes 2012 não poderia ter início melhor do que com “Moonrise Kingdom”, de Wes Anderson, exibido para a imprensa na manhã desta quarta-feira (16). O filme é tudo o que uma abertura do festival precisa ser: para cima, mas também artisticamente ambicioso. Tanto que o delegado-geral Thierry Frémaux escolheu a obra também para concorrer à Palma de Ouro, diferentemente dos anos anteriores, quando o longa de abertura passou fora da competição.

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Estilo nunca faltou a Wes Anderson, como se viu em “Os Excêntricos Tennenbaums” e “O Fantástico Sr. Raposo”. Referências pop, também não. Mas agora ele vai além de fazer um trabalho simplesmente “cool”, cheio de citações a outros filmes – inclusive “O Poderoso Chefão” –, e realmente tem coisas a dizer.

O diretor fala de crescimento ao contar a história dos pré-adolescentes Sam (Jared Gilman) e Suzy (Kara Hayward), que se apaixonam no verão de 1965 e fogem, ele do acampamento (mal) comandado por Ward (Edward Norton), ela de casa. Sam é órfão, e Suzy sente-se incompreendida na casa onde mora com o pai (Bill Murray), a mãe (Frances McDormand) e seus três irmãos pequenos.

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Ambos estão em busca do amor e de uma família, na verdade, e conseguem viver o sonho de outros personagens de aproveitar simplesmente o amor – os adultos, principalmente Ward e o policial, o Capitão Sharp (Bruce Willis), que tem um affair com a mãe de Suzy, são solitários.

AP
Jason Schwartzman, Bruce Willis, o diretor Wes Anderson, Edward Norton, Tilda Swinton e Bill Murray
“Moonrise Kingdom” traz aqueles momentos de absurdo que o cineasta tanto adora. Em geral, é divertido, mas também causa certo distanciamento. Aqui, ele alcança um equilíbrio melhor entre o humor descolado e o carinho pelos personagens.

Na entrevista coletiva que se seguiu à projeção, o diretor disse que usou suas memórias de infância para construir o filme. “Utilizei minha memória do que queria que tivesse acontecido, não que tenha acontecido. Aquela memória da emoção de se apaixonar quando criança, coisa que espero que as pessoas compartilhem.”

Reuters
Bruce Willis e Bill Murray de braços dados sessão de fotos de "Moonrise Kingdom"
Anderson também falou sobre sua preferência de trabalhar com o mesmo grupo de pessoas, apesar de sempre acrescentar novos membros, como Edward Norton e Bruce Willis. “Gosto de trabalhar com amigos, mas agora penso que tenho uma família ainda maior. Espero que os amigos que fiz neste filme tenham se tornado disponíveis para mim. Gosto de pensar em filmes como companhias de teatro, apesar de nunca ter trabalhado no teatro.”

Bruce Willis elogiou o cineasta. “Achei muito renovador ser dirigido e interpretar um papel de uma maneira muito específica. Num mundo em que muitos filmes não são ensaiados, você nem fala sobre a interpretação, foi legal fazer um filme, e um filme sobre amor. No fim, é a mesma história: todos querem ser amados, inclusive os policiais.”

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Edward Norton concordou, afirmando que todos os atores, no fundo, sonham fazer parte de uma companhia assim. “Wes faz o papel meio do meu personagem, liderando a trupe. Sem trailers, fazendo nosso próprio cabelo e maquiagem.”

Bill Murray, que já trabalhou outras vezes com Anderson, foi outro que brincou com a simplicidade do set. “São filmes de arte, em que se trabalha muito por nenhum dinheiro. O que conseguimos é uma viagem para Cannes. Essas são nossas roupas mesmo, ninguém nos emprestou nada”, disse, provocando risos.

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