Um dos médicos acusados de retirar rins de pacientes é interrogado

Rui Noronha Sacramento é um dos acusados de envolvimento com suposto esquema de tráfico de órgãos humanos. Julgamento será retomado nesta quarta-feira

iG São Paulo |

O médico

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O médico Rui Noronha Sacramento no primeiro dia de julgamento
Rui Noronha Sacramento foi o primeiro réu interrogado nesta terça-feira no Fórum Central de Taubaté, interior de São Paulo, no processo do caso Kalume, em que três médicos são acusados de ter levado à morte quatro pacientes para a retirada dos rins, que seriam utilizados em um esquema de tráfico de órgãos.

Leia também: "Eu não vi morte encefálica em nenhum dos casos", diz denunciante

De acordo com o Tribunal de Justiça, o depoimento começou por volta de 16h30 e se encerrou às 19h e, em seguida, o julgamento foi suspenso. Na quarta-feira (19), está previsto o interrogatório dos outros dois réus, os médicos Pedro Henrique Masjuan Torrecillas e Mariano Fiore Júnior e o início dos debates. Antônio Aurélio de Carvalho Monteiro, morto no ano passado, também era acusado dos mesmos crimes.

Hoje foi o segundo dia de julgamento, que poderá se estender até a quinta-feira (20). Seis testemunhas de defesa foram ouvidas, uma acariação entre duas delas foi feita e outras três foram dispensadas pelo juiz.

Os crimes foram praticados entre setembro e dezembro de 1986. Segundo o Ministério Público Estadual, os médicos simulavam que os pacientes tinham sido vítimas de lesões cerebrais quando, na verdade, eles morreram por causa da extração dos órgãos.

No primeiro dia de julgamento, na segunda-feira (17), o médico Roosevelt Sá Kalume, principal denunciante do caso, ressaltou que não viu morte encefálica em nenhum dos pacientes atendidos pelos três acusados. "Dentro da minha concepção eu não vi morte encefálica em nenhum dos casos apresentados. Se eu morrer, só quero ser enterrado quando meu coração parar", disse o médico, que na época era diretor do departamento de medicina da Universidade de Taubaté.

A enfermeira Rita Maria Pereira, que também depôs na segunda, confirmou ter presenciado a retirada dos rins do paciente José Carneiro, que foram colocados numa caixa. Segundo ela, logo depois desse procedimento, o médico Pedro Henrique Torrecillas teria usado um bisturi para cortar o peito de Carneiro, quando o paciente se debatia na tentativa de levantar da maca.

"O doutor Torrecillas pegou um bisturi e enfiou no peito do paciente e disse: 'Viu? É assim que se faz", afirmou a enfermeira. Carneiro teria parado de se bater e a enfermeira, aconselhada por outro médico, a não comentar com ninguém os fatos que havia presenciado.

* Com informações da Agência Brasil

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