'Nem um bicho faria isso', diz mulher de motorista linchado

Alves foi agredido por cerca de 50 pessoas após passar mal e perder controle do ônibus; passageira diz que ele era um amigo

Fernanda Simas, iG São Paulo |

Carlos Pessuto/ Futura Press
Digeane Alves, mulher do motorista linchado, durante velório
Digeane Alves, 35, mulher do motorista de ônibus Edmilson Alves, 59, linchado e morto no domingo à noite , em São Paulo, disse estar revoltada e afirmou que “nem um bicho faria isso”. Ele foi espancado na noite de domingo após perder o controle do veículo e bater em um carro na rua Torres Florêncio e Rielli, altura do número 285, no Jardim Planaltona zona leste de São Paulo. De acordo com a polícia, Alves teve um mal súbito e ao menos 50 pessoas o a agrediram .

Segundo Digeane, o marido não tinha problema de saúde e talvez tenha tido uma queda de pressão. “A pressão dele era baixa, ele sempre fazia exames e tinha uma alimentação boa”, disse. Questionada sobre se o marido bebia, Digeane se mostrou indignada e afirmou que ele “nunca bebeu”. “isso é um absurdo. O pior é a covardia”, afirmou durante o velório no Cemitério da Vila Alpina.

Em cima do caixão de Alves, familiares colocaram uma camisa do Palmeiras. Ele ganharia a camisa nesta terça-feira (29) quando completaria 60 anos.

Pouco antes do acidente, ela disse que estava com o marido no ônibus e desceu em um ponto um pouco mais cedo do que costuma fazer porque precisava ir ao médico. “Ele estava bem”, completou.

A passageira Ailzia Oliveira Souza, que mora há mais de 20 anos no bairro e pegava o ônibus da linha de Alves diariamente, diz estar inconformada. “Eu não perdi um motorista da minha linha. Perdi um amigo. Está doendo muito. Não só pela perda, mas pela covardia”, disse.

Para Ailzia, Alves “era mais do que um motorista e sempre ajudava as pessoas”. “Ele era amigo dos moradores. Para você ter ideia, ele parava o ônibus de um jeito que nenhum carro pudesse ultrapassa-lo apenas que eu pudesse descer com calma”, disse chorando. Segundo Ailzia, o local onde ocorreu a agressão é perigoso.

AE
Corpo de Edmilson Alves é velado no cemitério da Vila Alpina
Velório

Cerca de cem pessoas participaram do velório de Alves, no Cemitério de Vila Alpina, na noite desta segunda-feira (28). Além de familiares, muitos motoristas, cobradores e passageiros participaram da missa.

Wanderly Dias, diretor do sindicato dos Motoristas de Transportes Rodoviários Urbanos de São Paulo, disse estar inconformado. “Estamos muito revoltados e eu nem sei o que dizer para a família. Você olha nos olhos dos filhos dele e só vê tristeza”, disse. Segundo ele, o sindicato já solicitou segurança para a região onde Alves foi morto.

"Quando acontece alguma coisa, a Polícia Militar faz patrulhamento por uma semana. Parece que o poder só tem olhos para quem é rico”, disse Dias. Segundo o diretor da entidade, duas linhas de ônibus - 314-J e 4222 - estão paradas e só voltam a funcionar quando Alves for enterrado. O enterro ocorreu na manhã desta terça-feira

Em cima do caixão de Alves, familiares colocaram uma camisa do palmeiras. Ele ganharia a camisa nesta terça-feira (29) quando completaria 60 anos.

Alves deixou quatro filhos e dois netos. Ele era motorista de ônibus havia 20 anos. 

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