Incêndio atinge favela do Real Parque na zona sul de SP

"Só tenho a roupa do corpo. Não tenho mais nada", afirmou ao iG o jardineiro José da Silva

Nara Alves/iG |

O incêndio de grandes proporções que atingiu a favela Real Parque, na zona sul de São Paulo, por volta das 10h desta sexta-feira foi controlado por volta das 13h, de acordo com o Corpo de Bombeiros.

O capitão Miguel Jodas, porta-voz do Corporação, afirmou que os fortes ventos dificultaram o trabalho dos brigadistas. O trabalho de rescaldo prosseguiu até por volta das 15h.

Segundo o médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Rodrigo Coaglio, não houve o registro de vítimas graves. "Apenas três pessoas foram atendidas por nervosismo e não houve necessidade de encaminhá-las ao hospital", afirmou. Pela manhã, seis equipes ficaram de prontidão no local com quatro motos, uma unidade básica e uma unidade avançada, para atender eventuais feridos.

Futura Press
Bombeiros combatem as chamas na favela Real Parque

O fogo se alastrou rapidamente atingindo a vegetação ao redor da favela. A maior preocupação dos bombeiros era que as chamas chegassem até um depósito de papelão próximo ao local e assim a porporção do incêndio seria ainda maior.

De acordo com a Subprefeitura do Butantã, cerca de 1.500 pessoas moram na área atingida pelo incêndio. A estimativa da Prefeitura de São Paulo é que pelo menos 320 barracos tenham ficado destruídos.

A Eletropaulo informou que cortou o fornecimento de energia elétrica na Avenida Visconde Cunha às 11h05 a pedido do Corpo de Bombeiros, para evitar mais danos no local, e por volta das 16h ele não havia sido restabelecido.

O porteiro José Rinaldo contou à reportagem do iG que chamou os bombeiros assim que o fogo começou. Ele trabalha em um prédio que fica atrás da favela e é morador da comunidade. “Estava trabalhando no prédio de trás e vi quatro crianças, que estavam brincando, sairem correndo de um barraco que estava pegando fogo", disse. O porteiro mostrou no seu celular o registro da chamada que foi feita às 9h55, ao 193. “Perdi tudo porque o pessoal que ajudou a tirar os meus pertences do barraco roubou tudo”, lamentou.

André Correa / Minha Notícia
O internauta André Correa enviou ao Minha Notícia foto do incêndio
O jardineiro José da Silva, morador da comunidade há 10 anos, era outro que estava arrasado. “Ouvi a notícia pelo rádio e vim correndo. Mas perdi tudo. Agora não sei onde vou morar. Só tenho a roupa do corpo. Não tenho mais nada", afirmou ao iG.

O carpinteiro Dalvino Martins conseguiu salvar apenas os dois filhos e dois colchões. "Minha mulher pagou R$ 1 mil em um armário há 15 dias. Perdemos tudo. Perdi todos os meus documentos", disse. Ele também está preocupado porque fez uma cirurgia de hérnia há quatro meses e vai precisar destes documentos para passar pela perícia do INSS marcada para a próxima semana. "Não sei se vou continuar a receber o auxílio."

A doméstica Aparecida Oliveira trabalha em um condomínio próximo à favela e viu a fumaça de lá. "Saí correndo para saber se minha casa havia sido atingida e ter notícias de meu filho que estava com uma tia, que também mora aqui. Fiquei com medo do fogo se alastrar para o lado da minha casa, mas não chegou até lá”, disse, aliviada.

Diogo dos Santos, que está desempregado, só teve tempo de tirar do barraco a mulher, a filha e seus documentos. "Perdi tudo".

De acordo com a CET, o trânsito na Marginal Pinheiros, que chegou a ficar prejudicado por conta da fumaçã que chegava até a pista, fluía normalmente por volta das 15h. Acompanhe o trânsito.

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Noeli Weksler / Minha Notícia
A internauta Noeli Weksler enviou foto do incêndio ao Minha Notícia

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