Metrô e CPTM têm uma grande falha a cada três dias em São Paulo

Por Ana Flávia Oliveira e Renan Truffi - iG São Paulo | - Atualizada às

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Dois sistemas de transportes sobre trilhos tiveram 120 problemas "notáveis" no ano passado; em 2012, foram 122

Os trens do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitano (CPTM) apresentaram uma grande falha a cada três dias em 2013, quando os dois sistemas juntos tiveram 120 ocorrências “notáveis”. O número foi semelhante ao de 2012, quando CPTM e Metrô contabilizaram 122 falhas notáveis, aquelas em há prejuízo de tempo para o usuário ou interrupção em período prolongado do sistema. Metrô e CPTM não informaram o número de falhas “não notáveis”, mas que em muitas vezes também implica em prejuízo ao usuário.

Mais: Temida pelas falhas, operadores evitam a frota K do Metrô de São Paulo

Em 2013, o Metrô de São Paulo apresentou 84 falhas notáveis e em 2012, foram 96. O Metrô diz que falhas notáveis são aquelas em que o problema persistiu por mais de seis minutos. Segundo o Metrô, 70% desses problemas estão relacionados com o fechamento das portas.

Oslaim Brito/Futura Press
Falha que paralisou a Linha 3-Vermelha no dia 4 de fevereiro

Já a CPTM informou que no ano passado foram contabilizadas 36 falhas e em 2012, 28. De acordo com a companhia, o número foi maior no ano passado por causa das “manifestações, que ocasionaram bloqueio de linhas e depredações de trens e estações com consequentes impactos na circulação”. Para a companhia, as “falhas notáveis estão ligadas à interrupção total ou parcial da circulação dos trens, seja por falhas do sistema ou provocadas por agentes externos, tais como: usuários na via, alagamentos, descargas atmosféricas e interrupção de fornecimento energia, por parte da concessionária, entre outros fatores”.

Lotação

Para os passageiros, no entanto, a impressão é que as falhas e lotação são diárias. “Eu evito pegar Metrô no horário de pico. Sempre é lento e muito lotado. Todo dia tem algum problema e ele fica mais tempo na plataforma ou anda em velocidade reduzida”, diz a analista de sistema Bruna Valnei, 29 anos, que mora em São Mateus (zona leste) e trabalha em Higienópolis, e uliliza a Linha-3 Vermelha (Corinthians-Itaquera/Palmeiras-Barra Funda) diariamente.

As 164 composições do Metrô transportam diariamente cerca de 4,6 milhões de pessoas em 4.500 viagens diárias.

CPTM tem 130 trens que circulam em 22 estações na Grande São Paulo e interior. São realizadas cerca de 2.600 viagens e 2,8 milhões de passageiros são transportados diariamente.

Apesar da impressão negativa dos usuários e da grande quantidade de passageiros, Telmo Giolito Porto, professor de transportes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), diz que os números de falhas apresentadas pelo sistema de transporte sobre trilhos em São Paulo são “aceitáveis”. “A minha impressão primeira é que são números esperados com as características dos transportes em São Paulo. Não tem nada fora da curva”. Para ele, a lotação e diversidade dos equipamentos propiciam as falhas. “O Metrô de São Paulo é muito carregado em termos de passageiros por km rodado. É o mais carregado do mundo. A CPTM lida com uma diversidade tecnológica e de equipamentos enormes. Essa diversidade cria naturalmente falhas”.

No entanto, ele afirma que as falhas contabilizadas pelo Metrô e CPTM são consequência da rapidez do transporte quando comparados com carros e ônibus. “A verdade é que trem e Metrô são vítimas do seu próprio tempo de viagem. Estão sobrecarregados”. Para ele, as falhas só diminuirão quando o sistema for modernizado.

O Metrô informou que realiza manutenção preventiva e corretiva diariamente entre 1h e 4h e que em 2013 foram investidos R$ 470 milhões em infraestrutura, modernização e operação. A CPTM afirmou que, nos últimos cinco anos, investiu cerca de R$ 1 bilhão por ano na modernização do sistema.

Falhas

Tumulto na Estação da Sé na noite desta terça-feira (4), após falha na Estação República, afetando a circulação da Linha 3-Vermelha . Foto: Oslaim Brito/Futura PressSeguranças do Metrô caminham sobre os trilhos na estação da Sé após falha que paralisou a Linha 3-Vermelha. Foto: Oslaim Brito/Futura PressEstação da Barra Funda fechou na noite desta terça, após falha que afetou dez das 18 estações da Linha 3-Vermelha. Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

No dia 4 de fevereiro, uma falha em uma composição da Linha-3 fez com que passageiros acionassem o botão de emergência. Os usuários tiveram que andar sobre os trilhos, próximo a estação Sé, na região central, a via foi desenergizada e a circulação dos trens ficou interrompida por cerca de cinco horas. As estações foram fechadas e foram registrados quebra-quebra. Funcionários e passageiros tiveram ferimentos.

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No dia 13, o rompimento de um cabo de energia provocou a interrupção da circulação dos trens da Linha 6-Lilás por quatro dias até que a equipe de manutenção resolvesse o problema. 

Na CPTM, uma falha recente foi contabilizada na quarta-feira da semana passada (26), quando os passageiros da Linha 10-Turquesa (Brás - Rio Grande da Serra) precisaram caminhar pelos trilhos em pleno horário de pico da manhã. A circulação só foi normalizada duas horas após a falha.

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