Com câmeras, cerimônias podem ser acompanhadas em tempo real na web. Já consulta de cemitérios e jazigos será lançada durante o feriado de Finados neste sábado (2)

O ramo funerário precisa ser humanizado e aberto para a modernidade. A opinião é de Eliseu Vieira da Silva, de 58 anos, gerente de funerária e cemitérios da Urbanizadora Municipal (Urbam) de São José dos Campos, no interior de São Paulo, que diz ser pioneira ao unir velório e práticas de luto aos recursos da internet. A primeira ação que deu certo foi o velório virtual. Neste sábado (2), Dia de Finados, a Urbam lança oficialmente a busca on-line por sepulturas nos quatro cemitérios municipais sob sua administração.

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Veja imagens da funerária de São José dos Campos:

“O último serviço veio para facilitar a visita durante o feriado de Finados. Acho que podemos encarar a morte além do tradicional e usar novos recursos”, explica. Para Silva, que se define como cristão e místico, a morte nada mais é do que um processo - não exatamente o fim. Desde sua gestão, iniciada em janeiro deste ano, o administrador dedica-se a humanização do atendimento dentro da funerária.

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Com uma câmera em cada uma das quatro salas de velório, a cerimônia pode ser acompanhada em tempo real pelo site da Urbam. O internauta que estiver assistindo ao evento ainda pode encaminhar suas condolências à família por um endereço de e-mail. “O velório virtual surgiu como uma oportunidade de levar aquele momento aos outros parentes que estão longe”.

Para receber o benefício, a família precisa autorizar a transmissão das imagens. O serviço é gratuito. Atualmente, a cidade conta com uma taxa de 340 óbitos mensais em uma população de 650 mil habitantes.

Mapa do Cemitério Colônia Paraíso, em São José dos Campos, com as marcações das sepulturas
Reprodução
Mapa do Cemitério Colônia Paraíso, em São José dos Campos, com as marcações das sepulturas


A segunda etapa do projeto de reformulação da funerária foi o mapeamento dos cemitérios e a criação do banco de dados para o serviço de busca. Mapas e o posicionamento de sepulturas e jazigos (com ruas e quadras) podem ser encontrados no site da administradora, sem nenhum custo. Caso não tenha acesso à internet, o visitante poderá utilizar um dos 16 tablets disponíveis nos cemitérios municipais.

Vieira ainda não está satisfeito com o atual serviço que oferece. Para ele, o próximo passo seria expandir e criar o conceito de “street view” dentro do cemitério. “Acredito que poderíamos tirar essa visão pesada. Um lugar rico em história tem o potencial de ser um ponto turístico e de reflexão”. Ainda não há, no entanto, uma estimativa de quando o projeto será finalizado. “É delicado porque significa mudar uma parte da cultura de como lidamos com a morte. Hoje o brasileiro evita o assunto”. Durante o feriado deste sábado, a Urbam espera pelo 45 mil visitantes nos cemitérios municipais.

Eliseu da Silva, supervisor de serviços funerários em São José dos Campos
Carolina Garcia/iG São Paulo
Eliseu da Silva, supervisor de serviços funerários em São José dos Campos

Homenagem aos indigentes

O supervisor também disse ao iG o seu desejo de mudar o tratamento dado aos corpos de indigentes. Hoje, um corpo aguarda 15 dias pela identificação. Caso não seja reclamado por nenhum familiar, ele é fotografado [para o arquivo dos indigentes] e sepultado em uma vala comum. O processo incomoda Vieira, que aposta na trajetória de vida desses mortos.

"Hoje talvez eles não sejam queridos por ninguém, mas quero acreditar que eles já fizeram algo bom ou importante na vida. Merecem nosso respeito". Por isso, o administrador determinou que esses corpos passem a ser velados pelos próprios funcionários da funerária antes do sepultamento. "Nem que seja por cinco minutos, sabe? Cada um pedindo ao seu Deus por aquela pessoa. É no mínimo humano", conclui. 


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