Velório virtual e sepultura on-line modernizam funerária em São Paulo

Por Carolina Garcia - enviada a São José dos Campos (SP) | - Atualizada às

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Com câmeras, cerimônias podem ser acompanhadas em tempo real na web. Já consulta de cemitérios e jazigos será lançada durante o feriado de Finados neste sábado (2)

O ramo funerário precisa ser humanizado e aberto para a modernidade. A opinião é de Eliseu Vieira da Silva, de 58 anos, gerente de funerária e cemitérios da Urbanizadora Municipal (Urbam) de São José dos Campos, no interior de São Paulo, que diz ser pioneira ao unir velório e práticas de luto aos recursos da internet. A primeira ação que deu certo foi o velório virtual. Neste sábado (2), Dia de Finados, a Urbam lança oficialmente a busca on-line por sepulturas nos quatro cemitérios municipais sob sua administração.

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Veja imagens da funerária de São José dos Campos:

Benedito Edivaldo dos Santos, o Doutor Morte, que prepara os corpos para velórios. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloMotorista Vagner Mariano da Silva, que trabalha há 10 anos na funerária em São José dos Campos. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloCoveiro Milton está há seis anos entre os mortos e disse que passou a valorizar a vida. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloInstalações da Urbam, em São José dos Campos (SP), para velórios; cada sala conta com uma câmera para exibição virtual. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloInstalações da Urbam, em São José dos Campos (SP), para velórios; cada sala conta com uma câmera para exibição virtual. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloServiço é gratuito e promove interação entre familiares à distância. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloElizeu Vieira, de 58 anos, gerente de funerária e cemitérios da Urbam . Foto: Carolina Garcia/iG São PauloVieira busca humanizar os serviços em funerárias e cemitérios. "Não podemos continuar tratando a morte como um mercado". Foto: Carolina Garcia/iG São PauloEstoque de urnas funerárias na sede da Urbam em São José dos Campos (SP). Foto: Carolina Garcia/iG São PauloOpções de urnas funerárias na sede da Urbam em São José dos Campos (SP). Foto: Carolina Garcia/iG São PauloCom a compra de uma urna, família tem direito às vestes e ornamentos do velório, como coras e velas. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloOpções de urnas funerárias na sede da Urbam em São José dos Campos (SP). Foto: Carolina Garcia/iG São PauloPreparações para o Dia de Finados no sábado, dia 2. Familiares realizam limpeza de túmulos. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloPreparações para o Dia de Finados no sábado, dia 2. Familiares realizam limpeza de túmulos. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloPreparações para o Dia de Finados no sábado, dia 2. Familiares realizam limpeza de túmulos. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloPreparações para o Dia de Finados no sábado, dia 2. Familiares realizam limpeza de túmulos. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloPreparações para o Dia de Finados no sábado, dia 2. Familiares realizam limpeza de túmulos. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloBenedito mostra os instrumentos que usa para a prática de tanatopraxia, processo de conservação de cadáveres. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloSala onde os corpos passam pela tanatopraxia feita pelo Benedito. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloCom orgulho, Benedito exibe diplomas na parede e o treinamento que ofereceu ao Exército Brasileiro para o Haiti. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloAntes de receber o corpo, urna funerária recebe forro de papelão para evitar vazamentos de líquidos. Foto: Carolina Garcia/iG São Paulo

“O último serviço veio para facilitar a visita durante o feriado de Finados. Acho que podemos encarar a morte além do tradicional e usar novos recursos”, explica. Para Silva, que se define como cristão e místico, a morte nada mais é do que um processo - não exatamente o fim. Desde sua gestão, iniciada em janeiro deste ano, o administrador dedica-se a humanização do atendimento dentro da funerária.

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Com uma câmera em cada uma das quatro salas de velório, a cerimônia pode ser acompanhada em tempo real pelo site da Urbam. O internauta que estiver assistindo ao evento ainda pode encaminhar suas condolências à família por um endereço de e-mail. “O velório virtual surgiu como uma oportunidade de levar aquele momento aos outros parentes que estão longe”.

Para receber o benefício, a família precisa autorizar a transmissão das imagens. O serviço é gratuito. Atualmente, a cidade conta com uma taxa de 340 óbitos mensais em uma população de 650 mil habitantes.

Reprodução
Mapa do Cemitério Colônia Paraíso, em São José dos Campos, com as marcações das sepulturas


A segunda etapa do projeto de reformulação da funerária foi o mapeamento dos cemitérios e a criação do banco de dados para o serviço de busca. Mapas e o posicionamento de sepulturas e jazigos (com ruas e quadras) podem ser encontrados no site da administradora, sem nenhum custo. Caso não tenha acesso à internet, o visitante poderá utilizar um dos 16 tablets disponíveis nos cemitérios municipais.

Vieira ainda não está satisfeito com o atual serviço que oferece. Para ele, o próximo passo seria expandir e criar o conceito de “street view” dentro do cemitério. “Acredito que poderíamos tirar essa visão pesada. Um lugar rico em história tem o potencial de ser um ponto turístico e de reflexão”. Ainda não há, no entanto, uma estimativa de quando o projeto será finalizado. “É delicado porque significa mudar uma parte da cultura de como lidamos com a morte. Hoje o brasileiro evita o assunto”. Durante o feriado deste sábado, a Urbam espera pelo 45 mil visitantes nos cemitérios municipais.

Carolina Garcia/iG São Paulo
Eliseu da Silva, supervisor de serviços funerários em São José dos Campos

Homenagem aos indigentes

O supervisor também disse ao iG o seu desejo de mudar o tratamento dado aos corpos de indigentes. Hoje, um corpo aguarda 15 dias pela identificação. Caso não seja reclamado por nenhum familiar, ele é fotografado [para o arquivo dos indigentes] e sepultado em uma vala comum. O processo incomoda Vieira, que aposta na trajetória de vida desses mortos.

"Hoje talvez eles não sejam queridos por ninguém, mas quero acreditar que eles já fizeram algo bom ou importante na vida. Merecem nosso respeito". Por isso, o administrador determinou que esses corpos passem a ser velados pelos próprios funcionários da funerária antes do sepultamento. "Nem que seja por cinco minutos, sabe? Cada um pedindo ao seu Deus por aquela pessoa. É no mínimo humano", conclui. 


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