Alckmin recebe comissão e protestos são encerrados na zona leste e sul de SP

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Grupos sociais do Capão Redondo, Guaianazes e Campo Limpo foram às ruas contra violência policial e por saúde e educação

As manifestações de moradores dos bairros do Campo Limpo, na zona sul, Capão Redondo e Guaianazes, na zona leste, realizadas em ações simultâneas nesta manhã, em São Paulo, e que se dirigiam para o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado, foram encerradas após  o governador Geraldo Alckmin receber uma comissão dos manifestantes.

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Moradores do Capão Redondo, na zona leste, saíram às ruas por moradia e melhores condições de transporte. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressMoradores do Capão Redondo, na zona leste, saíram às ruas por moradia e melhores condições de transporte. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressMoradores do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, dizem lutar pelos direitos da periferia. Ato é apoiado pelo MPL. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressMoradores do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, dizem lutar pelos direitos da periferia. Ato é apoiado pelo MPL. Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

Os protestos, que tiveram início às 7h, foram organizados pelos movimentos Periferia Ativa e Resistência Urbana. Eles pedem a tarifa zero para o transporte público, a redução do custo de vida, o fim da violência policial nas periferias e o "padrão FIFA" para as áreas de saúde e educação. Também participam dos atos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e do Movimento Passe Livre (MPL).

Em Guaianases, cerca de 90 manifestantes caminharam em direção à Subprefeitura de Itaquera. Além das demais reivindicações, eles protestam contra os gastos com a Copa do Mundo e as desapropriações provocadas para a construção do estádio Itaquerão. Por volta das 10h30, o grupo desistiu de chegar até a subprefeitura e retornou ao bairro.

Segundo informações da Polícia Militar, cerca de 500 manifestantes se concentraram na praça do Campo Limpo e no terminal João Dias, no Capão Redondo. Às 10h30, o grupo interditava a ponte João Dias nos dois sentidos e dizia que só sairia do local após posicionamento do governo estadual.

A manifestação foi encerrada após Alckmin aceitar se reunir com intergrantes do MTST e do movimento Terra Livre. Foram discutidas questões como moradia, transporte e reajuste do auxílio-moradia. Horas depois, durante uma coletiva de imprensa, o governador anunciou que reajustará o valor do auxílio de R$ 300,00 para R$ 400,00. "Vamos igualar o benefício para os moradores da região metropolitana, onde o aluguel é mais caro", explicou. 

Interesses da periferia

Segundo o integrante da secretaria nacional do MTST José Afonso da Silva, os atos na periferia são uma tentativa de conscientizar a massa trabalhadora para os temas defendidos pelas organizações que atuam nas regiões carentes. "Nossa avaliação é que, até agora, a pauta que foi colocada está muito distante dos interesses da periferia."

Marcos Bezerra/Futura Press
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Silva afirma que a pauta foi pensada por diversos movimentos, para criar uma agenda integrada. "O entendimento é que é necessário que os movimentos sociais se organizem coletivamente, assim como os sindicatos, para trabalhar suas demandas. Uma vez que a gente consiga impor um trabalho concreto e organizado na periferia e uma ação direta dos trabalhadores, a gente consegue neutralizar a ação dos setores extremistas e antidemocráticos de direita nas manifestações."

O estudante Caio Martins, do MPL, defende a participação do grupo no ato na periferia porque o movimento já fez diversas ações nas regiões carentes e porque lá os problemas de transporte são mais fortes. "Sempre fomos em todos os atos do MTST. A gente está junto em protestos desde 2011", afirmou.

"O que tem de interessante nessas manifestações na periferia é você mobilizar outros seguimentos que não estavam nos atos do centro", disse a cientista política Maria do Socorro Braga, da USP. "Essas passeatas, até aqui, foram muito da classe média e chegar nesses seguimentos aumenta a participação da população.

*com Carolina Garcia (iG São Paulo) e Agência Estado

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