Em São Paulo, passeata de 60 mil pessoas vira protesto contra 'tudo'

Por Renan Truffi - iG São Paulo |

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Manifestação pela redução da passagem de R$ 3,20 para R$ 3 na capital paulista registra o maior público e tem que disputar espaço até com cartaz sobre liberdade para a Palestina

Renan Truffi/iG São Paulo
Manifestante exibe cartaz contra a presidente

Coube de tudo na passeata contra o aumento da passagem em São Paulo nesta segunda-feira (17). Com aproximadamente 60 mil pessoas, segundo estimativa do próprio Movimento Passe Livre, a reinvindicação pela redução da passagem de R$ 3,20 para R$ 3 teve que disputar espaço com as mais diversas causas. Quem caminhou pelas ruas da capital paulista viu faixas e cartazes que pediam, por exemplo, reserva de mais cotas para negros nas universidades, impeachment do governador de São Paulo e da presidente da República, fim da corrupção e até liberdade para a Palestina.

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Isso porque a repercussão em torno do quinto ato de repúdio ao aumento da tarifa mobilizou pessoas que até então não tinham participado de nenhum dos protestos. É o caso da dona de casa Luiza Andrea Mitaini, de 58 anos. Enquanto caminhava ao lado do filho, Nadim Mitaini, de 29 anos, sobre a Ponte Estaiada, ela explicava o motivo de ter saído pelas ruas da cidade. “Queria protestar por tudo. Violência, imposto, tudo”, disse antes de se lembrar da segurança. “Acabei de chegar de Roma, é tão bom poder sair na rua sem medo”, explica.

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Já o publicitário Bruno Weege, de 52 anos, foi à manifestação porque queria protestar por “um sonho: ver o (Paulo) Maluf preso”, resumiu ao se referir ao deputado do PP que tem o nome envolvido em escândalos de desvio de dinheiro público. Acompanhado da filha, de 16 anos, que foi quem pediu para ir no protesto, ele ainda inclui outra reivindicação. “Como sempre o brasileiro deixou para a última hora para começar a protestar contra a Copa. Como não teve nenhuma estrada, só estádio, estão protestando”, complementa.

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O publicitário Bruno Weege e a filha Marcela

A passeata teve ainda pessoas como o engenheiro Eduardo Soares, de 58 anos, que saiu de casa, em Cotia, com as duas filhas, de 21 e 19 anos, para protestar contra “a roubalheira”. “O Brasil precisa parar de ser o País do futuro e parar já com a roubalheira”, explica enquanto caminha no meio da Marginal Pinheiro ao lado de vários jovens. “Todo mundo lá em casa queria protestar. Está na hora do brasileiro vir para a rua, igual ao argentino”, diz sem mencionar o aumento da tarifa.

Houve quem lembrasse até de jogador de futebol para pedir mais verba para a educação no Brasil. “Brasil, vamos acordar, o professor vale mais que o Neymar”, gritaram alguns manifestantes.

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