País perde mais de R$ 700 milhões com enchentes em São Paulo

Por Agência Estado |

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Estudo da USP levou em conta prejuízo financeiro de empresas próximas a pontos de alagamento assim como redução da jornada de trabalho por causa de atrasos

Agência Estado

Renato S. Cerqueira/Futura Press
Cratera se abriu na avenida República do Líbano, em São Paulo, por causa das fortes chuvas

Cada ponto de alagamento na cidade de São Paulo representa uma perda econômica média de R$ 1 milhão para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. E isso significa uma perda de mais de R$ 700 milhões por ano para todo o País. O cálculo foi feito pelo estudo "Economic Impacts of Natural Disasters in Megacities: The Case of Floods in São Paulo, Brazil", que aguarda publicação na revista Habitat International que teve uma versão divulgada nesta sexta-feira (15) pelo Núcleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de São Paulo (Nereus).

Professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e autor da pesquisa, Eduardo Amaral Haddad usou dados do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), da Prefeitura de São Paulo, para identificar 749 pontos de alagamento que ocorreram ao longo de 2008. A partir disso, ele mapeou as empresas localizadas entre 50 e 200 metros do alagamento, que são afetadas de diferentes formas.

Os impactos, comenta Haddad à Agência Estado, são variados. "Se o alagamento é de manhã, as pessoas não chegam para o trabalho. Ou quando (os trabalhadores) já começam a perceber que vai alagar, antecipam a volta para casa". Além do mais, continua o economista, "os clientes não chegam, as entregas não saem. A cadeia de valor é interrompida". Segundo ele, além do impacto direto na firma, o estudo tentou entender as consequências no restante das cadeias de valor. "Elas (as empresas afetadas) são fornecedoras e consumidoras de outras firmas na cidade e no País", conclui.

Multiplicando a perda média por ponto de alagamento pelo total mapeado em 2008 pela CGE, a pesquisa de Haddad, que contou com a coautoria da mestranda em Teoria Econômica Eliane Teixeira, chegou a um prejuízo de R$ 250 milhões em termos de Produto Interno Bruto (PIB) do município, em 2008. Fazendo uma projeção para este ano, mantendo os mesmos pontos de alagamento, o economista calcula uma perda R$ 336 milhões, só para o município.

Interdependência
De acordo com o professor Eduardo Amaral Haddad, foi possível estimar também os efeitos que as recorrentes enchentes na capital paulista em escala nacional. Isso porque, conforme consta numa versão do artigo para discussão publicada nesta sexta-feira no Nereus, "a cidade de "São Paulo está diretamente envolvida em 14,1% em todo o fluxo comercial do País".

Dessa forma, o Produto Interno Bruto (PIB) do País deixou de acumular, por interrupções das cadeias produtivas de empresas paulistanas ocasionadas pelos alagamentos, só em 2008, R$ 560 milhões. Projetando para 2013, caso os mesmos pontos de alagamento sejam registrados, o estudo fala em perdas de R$ 762 milhões. "O estudo mostra que (o alagamento) é um fenômeno local. Mas ele impacta toda a cadeia produtiva, todo o País", resume Haddad.

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