Gil Rugai é condenado a 33 anos e 9 meses de prisão, mas vai recorrer livre

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Jurados condenaram Gil Rugai pela mortes de Luiz Carlos Rugai e Alessandra de Fátima Troitino. Ele deverá cumprir 1/6 da pena em regime fechado, mas recorrerá em liberdade

O ex-seminarista Gil Rugai foi condenado a 33 anos e 9 meses de prisão pelo duplo homicídio qualificado do pai, Luiz Carlos Rugai, e da madrasta, Alessandra de Fátima Triotino, em 2004. Apesar da condenação, ele sairá livre do Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, nesta sexta-feira. Isso porque ele poderá recorrer da decisão em liberdade. 

Acusação: "Vale a pena praticar crimes", lamenta promotor após condenação de Gil Rugai
Defesa: "O Gil não concorda com a decisão, mas temos uma lei", diz advogado de Rugai

Alice Vergueiro/Futura Press
Réu Gil Rugai chega ao segundo dia do júri popular, em SP

Gil vai responder em liberdade beneficiado por um recurso que tramita no Supremo Tribunal Federal. Réu primário, ele já aguardava o julgamento em liberdade.

Pela sentença proferida pelo juiz Adilson Paukoski Simoni, o condenado terá que cumprir pelo menos 1/6 da pena em regime fechado. Como já ficou preso por 2 anos e 3 meses, Gil precisaria cumprir mais 3 anos e 4 meses para ter direito ao regime semiaberto.

A pena aplicada ao réu foi de 15 anos de prisão pela morte da madrasta e 18 anos e 9 meses pela morte do pai. A sentença foi baseada na decisão do corpo de jurados que respondeu a oito perguntas que deram base a condenação do réu. 

Ao ler da condenação do réu, o juiz se referiu a Gil Rugai como um pessoa "extremamente perigosa" e "dissimulada", já que tentava passar a imagem de "bom moço". A decisão saiu nove anos depois do crime e após cinco dias de júri popular.

Segundo o promotor Rogério Zagallo, dos sete jurados que votariam, quatro decidiram pela culpa do réu e um pela absolvição. Os votos dos outros dois jurados não precisaram ser abertos, já que a maioria havia decidido pela culpa. 

Os debates:
Construíram um psicopata com base em uma investigação mais ou menos, diz defesa
Rugai disse que seria mais feliz se o pai morresse, relata promotor aos jurados

Além de considerar Gil Rugai culpado, a maioria dos jurados (4 votos a 3), concordou que o duplo homicídio foi cometido por motivo torpe, em razão de o réu ter sido afastado da participação dos negócios da vítima, não se conformando com tal situação. Com essa qualificadora, os juiz prescreveu uma pena mais longa para o condenado.

Logo após a decisão dos jurados, o promotor Zagallo voltou ao plenário e, chorando, comemorou o resultado com a antiga promotora do caso, Mildred de Assis Gonzales, e com o assistente de acusação. Quem aparentememe também saiu satisfeito do fórum foi a defesa do réu, que foi aplaudida pelos familiares de Gil Rugai que estavam presentes no local.

O interrogatório: 'Não fui eu. Agora quem foi eu não sei', diz Gil Rugai

Desde segunda-feira, advogados de defesa e acusação travaram o debate sobre a culpa ou inocência do réu. A defesa tentou desqualificar as provas colhidas pela investigação. Já a acusação apostou nos depoimentos de pessoas próximas à família e da casa onde ocorreu o crime.

Os advogados de defesa chegaram a apontar um novo suspeito para o assassinato. Agnaldo Silva, ex-funcionário de Luiz Carlos em sua produtora de vídeo, teria mentido em seu depoimento à polícia ao dirigir a suspeita para Gil Rugai.

Para a acusação, os depoimentos de advogados e ex-funcionários da produtora de Luiz Carlos Rugai, que citam os desfalques na empresa, a mudança de chaves e alarmes do escritório e residência do casal, eram fortes indícios da autoria do crime. Segundo o promotor, não há dúvidas de que o réu assassinou as vítimas porque foi culpado pela falsificação de uma assinatura.

4º dia de júri: Defesa aponta braço-direito da vítima como "verdadeiro suspeito"
3º dia de júri: 'Eu acredito nele', declara irmão de Gil Rugai
2º dia de júri: Promotor do caso Rugai espera 'ansioso' relação entre vídeo e homicídios
1º dia de julgamento: Acusação minimiza lapso em vídeo que 'trocou os pés' de Gil Rugai

Gil Rugai é visto chegando para o 5º dia de júri pelo subsolo do fórum, em São Paulo . Foto: Alice Vergueiro/Futura PressAdvogado de defesa Thiago Anastácio, durante chegada ao Fórum da Barra Funda, nesta terça-feira. Foto:  Alice Vergueiro/Futura PressRéu Gil Rugai chega ao segundo dia do júri popular, em SP. 'Eu não matei. Sou inocente', disse. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressO perito Adriano Issamu Yonanime, ao deixar o Fórum da Barra Funda. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGDefensores ocupam lugar no Salão do Júri no fórum. Cinco homens e duas mulheres decidirão o futuro de Rugai. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressJuiz Adilson Simoni (ao centro) e equipe de acusação no plenário do Fórum Criminal da Barra Funda . Foto: Alice Vergueiro / Futura PressGil Rugai chega ao Fórum da Barra Funda, em São Paulo, com a mãe e o irmão. Foto: Futura PressPromotor Rogério Zagallo durante entrevista no primeiro dia do júri, em SP. Foto: Alice Vergueiro / Futura PressPerito Ricardo Molina, convocado para auxiliar a defesa, concedeu entrevista aos jornalistas em frente ao fórum. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressLéo Rugai, irmão do réu, chega ao Fórum Criminal da Barra Funda para acompanhar o julgamento. Foto: Terra Britto/Futura Press

O crime
De acordo com o Ministério Público, Gil Rugai, então com 21 anos, teria aproveitado o silêncio da noite do dia 28 de março para se aproximar da casa dos pais, na rua Atibaia, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo, e arrombar uma das portas a pontapés. Empunhando uma pistola calibre 380, o jovem matou o casal: Alessandra levou seis tiros e Luiz Carlos foi morto depois de receber cinco tiros nas costas.

Promotoria e Polícia Civil afirmam que as provas colhidas durante o processo colocam o estudante na cena do crime. Em vão, a defesa tentou provar que o acusado era inocente e que trabalhava na hora do crime.

Antes da decisão desta sexta-feira, a disputa judicial que durou nove anos e já prendeu e soltou Rugai duas vezes, colocou sob suspeita um juiz e uma promotora e gerou uma série de provocações entre defesa e Ministério Público.

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