São Paulo faz varredura em presídios para apreender celulares e isolar facções

Por Vasconcelo Quadros - iG São Paulo |

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Desde 2011, o equipamento usado pelo Ministério da Justiça localizou perto de 10 mil aparelhos celulares em sete Estados cujos governos requisitaram os serviços do governo

Uma equipe do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, está ajudando a polícia de São Paulo a varrer os 143 presídios existentes no Estado em busca de aparelhos de telefone celular em poder da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) e de outras quadrilhas que comandam o crime de dentro das prisões.

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Divulgação
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A operação foi definida depois que a Secretaria de Segurança Pública aceitou a oferta do Ministério da Justiça. O Depen passou a disponibilizar técnicos e equipamentos eletrônicos para organizar o monitoramento. É parte do esforço de cooperação para integrar as polícias estaduais e federais em São Paulo.

A arma para cortar a comunicação do PCC com criminosos soltos é resultado da evolução tecnológica. Conhecido tecnicamente GI-2, a engenhoca é uma infalível ferramenta de varredura: intercepta com precisão milimétrica o aparelho e o chip com o número do telefone, normalmente escondidos em locais de difícil localização visual nas celas.

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Instaladas dentro ou nas imediações das cadeias, as maletas com o GI-2 monitoram os sinais emitidos pelas ligações telefônicas e produzem relatórios com os números dos aparelhos e chips em atividade. Atualmente de uso exclusivo do Ministério da Justiça, o equipamento é operado por uma equipe técnica do Depen em ação conjunta com as áreas de inteligência e operações da polícia.

Uma vez localizado, o aparelho pode ser apreendido ou, dependendo das investigações em curso, mantido sob o controle da polícia. Desde 2011, o GI-2 localizou perto de 10 mil aparelhos celulares em sete Estados cujos governos requisitaram os serviços ao Ministério da Justiça.

Em Estados como a Bahia, segundo dados do Ministério da Justiça, a apreensão dos aparelhos celulares ajudou a reduzir a criminalidade em geral em até 25%. É a constatação de que grande parte dos crimes - como roubos a bancos, a carros de transportes de valores ou tráfico de drogas - são planejados dentro das cadeias e nas barbas dos gestores do sistema prisional.

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Agência Brasil
Ação já apreendeu mais de 10 celulares em outro Estados

No caso de São Paulo foi também dos presídios que partiram as ordens para a execução de policiais na onda de violência que envolve, de um lado, a PM e, de outro, os chefões do PCC. O acordo de cooperação entre Depen e Secretaria de Assuntos Penitenciários de São Paulo envolve também a transferência de criminosos de alta periculosidade para as prisões federais.

O Depen administra atualmente quatro prisões federais: Catanduvas (PR), Porto Velho (RO), Mossoró (RN) e Campo Grande (MS). Juntas elas têm capacidade para 832 vagas. São equipadas com sistemas de monitoramento eletrônico que impedem o uso de telefones celulares e, com regime disciplinar e de visitas diferenciado, consideradas a prova de fuga.

As ações integradas foram organizadas a partir do final do ano passado, na esteira da onda de violência provocada pela guerra entre PM paulista e PCC, depois que a presidenta Dilma Rousseff e o governador Geraldo Alckmin abriram negociações que resultaram em convênios na área de segurança pública. O entendimento rompeu o histórico impasse entre Ministério da Justiça e Secretaria de Segurança, permitindo o planejamento de ações em conjuntas para enfrentar as facções.

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