Confronto entre PCC e Rota faz governo federal ampliar alerta contra o crime

Relatório da Abin mostra que a situação está ruim há alguns meses e pode se agravar. Governo de São Paulo nega que setor de inteligência acompanhe situação em presídios

Agência Estado |

Agência Estado

Alex Falcão/Futura Press/AE
PM estava de folga quando foi morto no Butantã, em São Paulo, na quinta-feira (27)

O sistema de monitoramento de crises do governo federal aumentou o alerta para São Paulo por causa das ações recentes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Um relatório especial feito pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que abastece o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) ligado à Presidência da República, mostra que a situação, ruim há alguns meses, tende a se agravar em razão da resposta do grupo às ações das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). O governo de São Paulo nega.

Após ação em 'tribunal':  Governo de São Paulo troca o comando da Rota

Acuado pela ofensiva policial, o comando do PCC teria determinado que seja aplicada no Estado a "cláusula 18": "Vida se paga com vida e sangue se paga com sangue". Para cada membro da facção morto, um policial deve ser assassinado. A morte do soldado André Peres de Carvalho , do 1.º Batalhão de Choque (Rota), na capital, teria sido recebida quinta-feira pelo PCC como uma "vitória". Pela primeira vez, o grupo teria conseguido atingir a unidade.

A contabilidade mortal do PCC também incluiu a execução de Florisvaldo de Oliveira, de 53 anos, o Cabo Bruno , no mesmo dia, no interior do Estado. Líder de um grupo de extermínio nos anos 1980, estava livre havia 34 dias e seria um símbolo para o PCC. Informações da Abin mostram que o grupo teria se fortalecido nos últimos seis anos, depois de uma relativa "paz" desde os ataques a São Paulo, em maio de 2006.

Leia também: 

Soldado da Rota é morto a tiros em avenida da zona oeste de São Paulo
Rota invade reunião do PCC e mata seis durante tiroteio em São Paulo
Governo: 'Quem não reagiu está vivo', afirma Alckmin sobre ação da Rota 

Mesmo com alguns líderes presos, o PCC se reorganizou. Recentemente, no entanto, a Rota iniciou um trabalho próprio de inteligência que começa a chegar perto do PCC. Informações atribuídas a denúncias anônimas - como a do "tribunal" estourado há duas semanas , em que nove pessoas foram mortas - teriam vindo desse trabalho.

Rafa Von Zuben/Futura Press
Área de galpão dentro da chácara durante ação em "tribunal do crime", na Grande SP

O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, contesta o documento. "Fico indignado. São notícias sem fundamento. A Abin não monitora presídios e não mantém contato com a inteligência do Estado. Não monitora nem as fronteiras para coibir a entrada de armas e drogas." Ele acusou a agência de, no período pré-eleitoral, servir a interesses político-partidários.

Comando

Com o grupo caçado pela Rota, a ordem de usar a "cláusula 18" teria vindo diretamente de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC preso na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. A instrução aos criminosos é observar o cotidiano de policiais, para conhecer seus hábitos e fazer a execução durante a folga - de preferência, na frente da família.

Dados da PM de São Paulo mostram que o número de policiais mortos neste ano é 40% maior do que no mesmo período de 2011. A preocupação do governo federal é que a crise se intensifique em São Paulo e se espalhe.

Mais seis policiais da Rota são afastados em São Paulo
Número de PMs mortos em São Paulo é 40% maior que em 2011

As informações da Abin são de que o PCC se armou e se expandiu nos últimos anos. Apesar de concentrar as ações em São Paulo, ele teria associações com criminosos em diversos Estados, especialmente nas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

    Leia tudo sobre: rotapcctribunal do crimecabo brunopolicial morto

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG