Em 2006, onda de ataques amedrontou São Paulo; relembre

Série de atentados atribuída ao PCC alimentou boatos que instalou o caos na cidade há seis anos

iG São Paulo | - Atualizada às

A série de assassinatos de policiais e os ataques a bases da PM na região metropolitana de São Paulo  nos últimos dias faz com que moradores e autoridades relembrem os ataques atribuídos à organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) que ocorreram entre maio e agosto de 2006 no Estado.

Apesar das suspeitas, a PM ainda não confirma que os crimes não são uma ação isolada, mas que há relação entre os casos registrados recentemente. “Conclusões até o presente momento serão precipitadas e podem gerar um pânico desnecessário à população”, ressaltou a corporação.

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Na unidade da Febem de Vila Maria, internos queimam roupas e colchões em rebelião, seguindo os atos coordenados pelo PCC (14/6/2006)


A Corregedoria da Polícia Militar e o DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), da Polícia Civil, investigam a suspeita de que as recentes mortes tenham sido retaliação do PCC contra a operação das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), da PM, que matou seis homens em maio , na zona leste de São Paulo, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

Ataques do PCC

Há seis anos, em 11 de maio, a Secretaria de Administração Penitenciária decidiu tranferir 765 presos para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau após escutas telefônicas terem levantado suspeitas de que facções estariam planejando rebeliões para o Dia das Mães, que ocorreria dali a dois dias. No dia seguinte, após a transferência do líder do PCC Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola, motins foram realizados em penitenciárias do Estado de forma articulada.

Na noite do dia 12 de maio, integrantes da organização criminosa deram início ao maior atentado contra as forças de segurança pública do Estado da história. Essa ação deixou mais de 20 mortos. Delegacias, carros e bases da Polícia Militar, Polícia Civil e metropolitana e até o Corpo de Bombeiros foram atacados. No dia seguinte, a onda de ataques foi intensificada e ocorreram atentados no litoral e interior de São Paulo.

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Até o dia 15 de maio, foram mais de 200 ataques que deixaram cerca de 90 mortos. Neste dia, a organização determina o fim dos ataques após ter realizado atentados menores contra fóruns, ônibus circulares e agências bancárias. No entanto, uma série de boatos, incluindo um possível toque de recolher, instaurou o medo na população do Estado, que ficou mergulhado em horas de caos.

Com temor de ataques a alvos civis, 40% das escolas e Universidades como a USP, a Unicamp, a PUC-Campinas, entre outras instituições, foram fechadas. Parte do comércio e repartições públicas também fecharam suas portas.

Em seu horário de maior movimento, a cidade de São Paulo ficou deserta. O transporte público parou de circular durante a tarde deixando mais de 5 milhões de pessoas a pé. Um terço da frota de ônibus ficou na garagem depois de mais de 90 veículos terem sido incendiados em todo o Estado. Uma ameaça de bomba chegou a fechar o Aeroporto de Congonhas.

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Lanchonete 24 horas na Rua Augusta é fechada e a rua fica totalmente deserta após boatos sobre novos atentados (16/5/2006)


No dia 16 de maio, a cidade voltava ao normal e chegava ao fim a primeira onda de ataques do ano de 2006 em São Paulo. No total, segundo balanço feito por jornais à época, até o dia 17 de maio, foram 132 mortos, sendo 23 PMs, oito carceireiros, seis policiais civis, quatro civis e três guardas civis metropolitanos. Entre os mortos, estavam também 71 suspeitos e 17 detentos em rebelião.

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Novos ataques

A nova onda de violência teria início dois meses depois, em 12 de julho de 2006. O Estado de São Paulo voltou a ser palco de mais de 70 ataques contra civis e militares. Agências bancárias, prédios do judiciário, legislativo e até supermercados também foram alvos. Com isso ocorreu uma nova crise nos transportes públicos da capital, já que as companhias mantiveram parte de sua frota fora de circulação. Duas milhões de pessoas ficaram a pé e a cidade teve congestionamento e superlotação em metrôs e trens.

Depois de mais alguns ataques isolados a policiais e ataques a ônibus, o Estado de São Paulo voltou ao seu ritmo anterior. O número de agentes mortos nessa segunda onda de atentados chegou a sete. Após menos de um mês, entretanto, a quadrilha retomou os ataques, porém com força reduzida.

O principal deles foi realizado contra o prédio do Ministério Público, no centro da capital. No total, foram 96 ataques com armas, coquetéis molotov e artefatos explosivos em 17 cidades. Sete suspeitos acabaram mortos.

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Relatório sobre os ataques de maio

Cinco anos depois dos atentados, um estudo realizado pela ONG Justiça Global e pela Clínica Internacional de Direitos Humanos de Harvard apontou uma outra causa para os ataques de maio de 2006 . À época, o governo trabalhou com a hipótese de que a transferência dos presos de penitenciária teria provocado os atentados.

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Em São José do Rio Preto, coletivo da empresa Circular Santa Luzia é supostamente incendiado por membros PCC (15/5/2006)


O relatório, entretanto, apontou que se tratou de uma revanche de membros do PCC à corrupção policial. A denúncia principal é baseada em gravações em que um investigador de polícia surge como principal participante do sequestro e extorsão, em 2005, do enteado de Marcola, líder da facção. Para a liberação, os sequestradores pediram, na época, R$ 300 mil. Pouco antes da intensificação dos ataques, Marcola esteve do Deic (Departamento de Investigações Sobre Crime Organizado) e comentou sobre o sequestro: "Não vai ficar barato".

Com Agência Brasil

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