Reformas recentes influenciaram mais do que alterações na fachada, diz Crea

Abertura de janelas em fachada cega não deve ter abalado estrutura do Edifício Liberdade, mas reformas em andares são investigadas

Fernanda Simas, iG São Paulo |

As obras que estavam sendo realizadas nos 3° e 9° andares do Edifício Liberdade devem ter mais influência no desabamento do que as mudanças realizadas na fachada cega do prédio, de acordo com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) do Rio de Janeiro. Segundo o presidente da Comissão de Análise de Acidentes da entidade, Luís Antônio Cosenza, as janelas que foram abertas não devem ter causado um abalo na estrutura da construção.

Arte iG
Imagem mostra as alterações antigas realizadas no Edifício Liberdade

No entanto, Cosenza alerta para a ampliação de andares que foi feita na cobertura do edifício e pode ser vista na comparação entre fotografias do local na década de 1940 e antes de o prédio cair, na última quarta-feira (25). “Houve uma ampliação realmente e temos que ver se teve autorização, se teve um projeto, quem foi o responsável. Eu acho que é mais problemática. As janelas só abalariam a estrutura se quebrassem uma viga ou coluna.”

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Todas essas obras citadas eram irregulares, segundo Cosenza, mas a linha de investigação do acidente continua sendo a partir das obras nos andares. “A última obra vistoriada naquele local pelo Crea (RJ) foi em 2008, mas isso não quer dizer que mesmo antes pessoas tenham feito reformas que contribuíram para o acidente”, explica. O Crea e a Defesa Civil investigam as causas do acidente.

Para o engenheiro civil Rodrigo Farah, da USP, qualquer alteração nas fachadas dos prédios deve ser analisada previamente. Ele considera que a abertura das janelas pode alterar a estrutura.

"As estruturas sempre trabalham como um todo e qualquer alteração deve ser estudada e calculada para garantir a integridade desse todo. Janelas abertas em paredes que parecem ser estruturais, sobrecargas não previstas em projetos como as alterações na cobertura ou ainda grandes alterações internas alteram o comportamento da estrutura e das distribuições de cargas podendo gerar algumas patologias, como trincas e portas que não fecham ou ainda danos estruturais mais graves que podem levar a ruptura da estrutura toda", diz Farah.

Obras sem laudo

As obras que estavam sendo feitas no 3° e 9° andares tiveram início sem o laudo técnico emitido, como confirmou um sócio diretor da Tecnologia Organizacional (TO), Sérgio Alves. Ele afirmou que as obras eram de repaginação e não necessitavam de autorização do governo, apenas do síndico do prédio. "Tenho certeza de que minhas obras não abalaram o prédio", disse Alves.

O secretário estadual de Defesa Civil do Rio de Janeiro, coronel Sérgio Simões, suspeita que o prédio teria dado sinais que iria desabar antes da tragédia. Segundo ele, a desconfiança vem pelo fato de corpos terem sido encontrados na parte das escadas e os demais no corredor. Para o oficial, se a queda dos prédios tivesse sido rápida, não daria tempo de as pessoas terem saído das salas e tentado fugir.  

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