Movimento grevista opõe oficiais a praças na PM do Rio

iG presenciou conversa entre capitão e tropa no Leblon. Comandante disse que policiais estavam mal informados e que paralisação é proibida

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

O movimento grevista dos policiais militares opôs as duas categorias da corporação: oficiais (responsáveis pelo comando da tropa, contrários a paralisação) e praças (patentes mais baixas, o grosso da tropa, favor). Enquanto soldados, cabos e sargentos engrossavam o movimento e estavam mais dispostos a aderir à greve, reivindicando aumento de salários e pregando a paralisação, oficiais se empenhavam em tentar convencer a tropa a não parar.

Leia também: PM usa pressão militar, ameaça exclusão sumária, e tropa vai às ruas

Raphael Gomide
PMs param carros do batalhão do Leblon na calçada da unidade na madrugada
Ainda sem uma diretriz tão clara e dura, o principal argumento na madrugada desta sexta-feira era o de que a greve é vedada aos militares pela Constituição Federal.

Desde o início da semana, os comandantes falavam contra a paralisação em discursos da Ordem do Dia à tropa. Os oficiais também buscavam apelar ao sentimento de responsabilidade dos PMs, dizendo que a sociedade não poderia ficar sem patrulhamento.

O iG presenciou uma dessas discussões à 1h15 desta sexta-feira, no Leblon. Treze viaturas do 23º Batalhão estavam estacionadas com o giroscópio aceso, em frente à Cobal do bairro da zona sul do Rio, enquanto cerca de 50 PMs fardados e à paisana discutiam o que fazer.

Muitos vestiam camisas azuis pregando greve e tinham o rosto pintado de azul. Alguns tinham acabado de chegar da manifestação no Centro, que decidira pela greve.

“Pode chegar, rapaziada! Pode chegar! Não vou marcar a cara de ninguém, não!”, chama um capitão, que tentava lhes falar para demovê-los da greve.

“Aos olhos da sociedade não vai adiantar, vão entender que vocês estão trabalhando. Enganaram vocês, a greve não é permitida! Vocês estão mal informados. O artigo 142 da Constituição proíbe a greve”, pregava um capitão do batalhão, junto aos praças. Os PMs pediram para o iG parar de filmar nesse momento.

Ao mesmo tempo, o comando da PM já iniciara um dispositivo de oficiais para pressionar os policiais . “Tem um major da DPJM na porta do batalhão ameaçando prender todo mundo”, disse um PM. “Estão pedindo para patrulharmos, mas não vamos”, afirmou esse soldado.

“O Bope está preso, e a gente aqui, dando de c...zão!”, disse um PM. “Tem mais de dez batalhões em greve. Pensem bem, vamos passar mais uma vez como c...zões”, conclamou outro soldado, a favor da paralisação.

“Vão para casa! Não podem regressar para o batalhão (para ficar aquartelados)! Não deixem a sociedade desassistida”, insistia o capitão.

O grupo de cerca de 50 PMs desligou as luzes dos veículos e os dirigiu até a calçada do batalhão, na avenida Bartolomeu Mitre, no Leblon, onde os estacionou. Na manhã desta sexta-feira, porém, diante do endurecimento do comando geral da PM e da ameaça de expulsão sumária, a maior parte dos policiais acabou voltando a patrulhar as ruas.

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