Liberdade de bombeiro é condição de negociação para evitar greve no Rio

"Soltem o Daciolo" é grito dos cerca de 1.500 manifestantes na Cinelândia, que discutem a paralisação de policiais no Rio

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Raphael Gomide
PMs, policiais civis e bombeiros realizam assembleia na Cinelândia
Os cerca de 1.500 manifestantes presentes na noite desta quinta-feira (9) em assembleia na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, estabeleceram como primeira condição de negociação a liberdade do cabo bombeiro Benevenuto Daciolo, um dos líderes da mobilização.

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O militar foi preso na noite desta quarta-feira, ao chegar ao Rio, vindo da Bahia de avião. Ele está sendo mantido em Bangu 1, presídio de segurança máxima na zona oeste carioca. Á tarde, a Justiça negou o pedido de liberdade.

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“Soltem Daciolo! Soltem Daciolo! Soltem Daciolo!”, gritam os manifestantes. “Minha filha de 4 anos está quase em depressão: ‘Cadê meu pai?’ Daciolo presta serviço ao Corpo de Bombeiros há 14 anos e foi preso arbitrariamente”, afirmou Cristiane Daciolo, mulher do cabo.

O prazo dado pelos manifestantes ao governo para libertar o militar é meia-noite de sexta-feira (10). Caso contrário, teria início a greve.

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A manifestação na Cinelândia, palco tradicional de manifestações políticas no Rio de Janeiro, discute greve dos policiais militares civis, bombeiros e agentes penitenciários. Aparentemente, a maioria dos presentes é de bombeiros, que se caracterizam pelas roupas vermelhas.

Os manifestantes querem salário de R$ 3.500, tíquete-refeição de R$ 350, vale-transporte de R$ 350, 40 horas de trabalho semanal e fim do rancho nos quartéis.

Salário de R$ 1.243, com reajuste de hoje

Com a aprovação de projeto substitutivo do governo pela Alerj, os soldados PMs e bombeiros que entram na corporação passam a receber R$ 1.243 mensais, sem contar gratificações como o auxílio-moradia de R$ 397 – estendido nesta quinta dos casados para todos os militares –, o tíquete de R$ 100 e a gratificação de atividade, estendida a todos os integrantes das corporações pela nova lei.

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A partir de fevereiro de 2013, descontadas as gratificações, os soldados passarão a receber R$ 1.622 e R$ 1.816 em fevereiro de 2014, tomando-se em consideração estimativa de 6% de inflação.

Apesar da mobilização, os manifestantes na assembleia estão pregando paralisação sem violência.  

“Não vamos fazer nenhum ato de vandalismo! A gente vai ser mais notado quando olharem para o lado e não virem nenhum PM, nenhum bombeiro para salvá-los, nenhum civil para fazer R.O. Vamos ser ordeiros para eles não poderem falar nada da gente!”, afirmou um representante da Polícia Civil.
Para manifestantes, o reajuste concedido é um “cala-boca”.

Bope, Choque e bombeiros do Quartel-Central em prontidão

Policiais militares do Bope e do Choque estão em prontidão nas unidades. As duas tropas da PM são consideradas reservas do comando da PM e, em princípio, seriam usados para patrulhar as ruas em caso de os outros batalhões entrarem em greve.

Os bombeiros militares do Quartel-Central da corporação estão de prontidão e não podem deixar a unidade para ir para casa desde as 18h desta quinta-feira.

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