Jovem afirma ter sido torturado por militares da Força de Pacificação

Exército, que ocupada Complexo do Alemão e da Penha, instaurou um inquérito para apurar a denúncia

Bruna Fantti, iG Rio de Janeiro |

O Exército instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar a denúncia realizada por um morador da Vila Cruzeiro, na zona norte, que acusa militares da Força de Pacificação de tortura. O jovem, de 22 anos, registrou o suposto crime na tarde deste domingo (11), na 22ª DP (Penha).

A Vila Cruzeiro, localizada no Complexo da Penha, está ocupada pelo Exército desde novembro de 2010, assim como o Complexo do Alemão.

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Em depoimento a investigadores da delegacia onde o caso foi denunciado, o jovem afirmou que foi detido por volta das 4h30 da manhã do último sábado por militares do Exército. Ele relatou que, ao descer a Rua 12 com a namorada, viu uma patrulha abordar um grupo de traficantes que fugiu. Os militares, então, teriam acusado o jovem de integrar o bando e o torturaram com choques e espancamento.

Após relutar, ele conseguiu fugir e procurou socorro no Hospital Estadual Getúlio Vargas, mas não avisou aos familiares que, ainda no sábado, registraram o seu desaparecimento. Na tarde do mesmo dia, pouco antes da chegada do príncipe Harry ao Complexo do Alemão, ele reapareceu na favela ao mesmo tempo em que eclodiam protestos contra os militares .

Segundo o porta-voz da Força de Pacificação, Coronel Fernando Fantazzini, essa é a denúncia mais grave ocorrida desde o início da ocupação e caso o crime seja comprovado, os soldados serão responsabilizados criminalmente. Mas, de acordo com o oficial, também “há a suspeita de que as ações tenham sido orquestradas por traficantes”.

“Coincidentemente, esse jovem desapareceu na véspera da visita do príncipe e, reapareceu, por coincidência, 15 minutos antes da visita. Por coincidência, ao mesmo tempo, em cinco pontos diferentes foram disparados 40 tiros contra as tropas e, por coincidência, a tropa foi hostilizada quando tentou inclusive ajudar dois motoqueiros que se feriram em um acidente. É muita coincidência e nenhuma hipótese será descartada”, afirmou ao iG .

O Exército pretende chamar para depor a namorada da vítima, testemunha que teria visto o jovem ser levado pela patrulha, além de um mototaxista que teria ajudado no socorro do jovem. O inquérito deverá ficar pronto em 40 dias.

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