Eduardo Paes diz que 22 pessoas continuam desaparecidas nos escombros

Prefeito afirmou que obra em prédio que desabou não estava irregular, conforme havia dito o Crea-RJ

Luísa Girão, iG Rio de Janeiro |

AE
Cães buscam por sobreviventes nos escombros de prédios que caíram no centro do Rio
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, disse na noite desta quinta-feira (26) ter a informação de que 22 pessoas ainda estão desaparecidas nos escombros dos três prédios que desabaram na noite de ontem (25) na avenida Treze de Maio e na rua Manoel de Carvalho, no centro da cidade.

Flagrante : Veja o desabamento e momento em que poeira atinge câmera

De acordo com o prefeito, 26 famílias procuraram a Secretaria Municipal de Assistência Social para comunicar sobre o sumiço de parentes. Como quatro corpos já foram encontrados (três homens e uma mulher), 22 continuam sendo procurados. O governo do Rio decretou luto oficial de três dias em homenagem às vítimas.

O subsecretário estadual de Defesa Civil, Jessi Andrade, afirmou que ainda tem esperanças de encontrar alguém com vida.

"O trabalho de busca continua. Temos esperanças de encontrar pessoas com vida", disse.

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Polêmica das obras

Paes afirmou que as obras que estavam sendo realizadas em um dos prédios que desabaram não eram irregulares. De acordo com ele, pela legislação, qualquer obra interna para ser realizada depende apenas da autorização do síndico. No início da tarde, o Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) informou que duas obras realizadas no prédio eram ilegais porque não estavam registradas no órgão.

Antes e depois : Veja o local onde prédios desabaram no centro do Rio de Janeiro

Em nota, a Prefeitura explicou que, de acordo com o Plano Diretor (Lei Complementar nº 111/2011, artigo 57, inciso IV, parágrafo primeiro), não dependerão de licença da Prefeitura as obras de modificação interna, sem acréscimo de área, que não impliquem em alterações das áreas comuns das edificações. Não constam na Secretaria de Urbanismo qualquer pedido de licenciamento de obras recentes nesses imóveis, qualquer denúncia de obra irregular e ainda qualquer registro de ocorrência ligada à estabilidade e segurança das edificações.

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O comunicado informa ainda que,segundo o artigo 59 do Plano Diretor, a responsabilidade pelos diferentes projetos, cálculos e memórias relativos à execução de obras e instalações caberá sempre e exclusivamente aos profissionais que os assinarem. Os empreendedores ficam responsáveis por adotar técnicas preventivas e de controle para segurança dos imóveis vizinhos, respondendo civil e criminalmente sobre eventuais danos causados a terceiros."

Segundo a Prefeitura, os três prédios que caíram, os de número 38, 40 e 44 da Treze de Maio, estavam irregulares e possuíam habite-se.

O prédio de número 44 data de 1940 e é constituído de 18 pavimentos de salas comerciais, além de loja e sobreloja.

O imóvel de número 40 data de 1938 e é constituído por quatro pavimentos de salas comerciais, além de loja e sobreloja.

O prédio de número 38 também data de 1938 e é constituído por 10 pavimentos de salas comerciais, além de loja e sobreloja.

Problemas estruturais

O prefeito informou que a hipótese de explosão como causa do desmoronamento está praticamente descartada e que o mais provável é que a tragédia tenha sido provocada por problemas estruturais nos edifícios.

Paes disse ainda que já foram retiradas cerca de 15 mil toneladas de entulhos do local, o que representa entre 20% a 30% do total. Cinco prédios da 13 de Maio continuam interditados, segundo ele.

Com informações da BBC Brasil

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