Corpo de filho de Carlinhos de Jesus é sepultado no Rio

Dudu de Jesus foi assassinado na madrugada de sábado; presente no velório, Sérgio Cabral promete acompanhar investigação

Bruna Fantti, iG Rio de Janeiro |

Felipe Assumpção / AgNews
Carlinhos de Jesus chora durante enterro do filho, Dudu

Ao som de vários sambas populares, o corpo do músico Carlos Eduardo Mendes de Jesus, o Dudu de Jesus, de 32 anos, foi sepultado neste domingo (20) no cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro. Filho do dançarino e coreógrafo Carlinhos de Jesus, de 58 anos, Dudu foi morto na madrugada de sábado após um show de sua banda, a Samba Firme, em Realengo, na zona oeste.

"Ele era um artista. Só queria tocar, cantar, namorar. Viveu bem, mas Deus quis assim. Conversei com o governador e tenho confiança no trabalho que está sendo feito. Certamente essa barbaridade será apurada”, disse Carlinhos de Jesus, amparado por amigos.

Cerca de 200 pessoas participaram do cortejo. Durante a cerimônia, Carlinhos usou um cordão que era de Dudu e ficou abraçado ao neto Juan, de 8 anos, filho do músico. Além dos familiares e amigos, estavam presentes o intérprete Neguinho da Beija-Flor, a bailarina Ana Botafogo, o ator Antônio Pitanga e o ex-presidente da Mangueira, Elmo dos Santos.

"Ele era um menino bom. O conhecia desde que ele tinha 5, 6 anos de idade. Vai fazer muita falta pela sua alegria", lamentou a eterna porta-bandeira da Imperatriz Leopoldinense, Maria Helena, que compareceu com outros integrantes da escola.

Muitos amigos do músico, que vestiam uma camiseta com a inscrição "a amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir" estavam indignados. "Era um amigo, um companheiro, um irmão que foi embora assim, por bandidos", afirmou o integrante da banda, Leonardo dos Santos.

O ator Antonio Pitanga, amigo de Carlinhos de Jesus, declarou ao entrar no cemitério que "esse era um momento de muita dor para o Rio de Janeiro, para o Brasil. A dignidade não pode estar a mercê de qualquer bandido".

Já um grupo de ativistas, familiares de vítimas da violência, compareceram ao cemitério com um cartaz pedindo mudanças na lei. "Queremos que a lei seja mais severa, pois a certeza da impunidade motiva alguns bandidos", disse um dos ativistas que perdeu um sobrinho durante uma briga de trânsito.

Crime

Dudu tocava violão e também era vocalista do grupo Samba Firme, criada há 2 anos e meio. Há pelo menos dois meses a banda se apresentava toda sexta-feira na choperia Boteko Carioca, na zona oeste do Rio.

O músico foi morto com oito tiros disparados por ocupantes de uma moto. De acordo com testemunhas, o crime ocorreu do lado de fora da casa de shows, enquanto Dudu guardava os equipamentos da banda.

A produtora da banda, Luciana Torquato, afirmou que "foi tudo muito rápido". "Só escutei os tiros. Não imaginava que poderia ser algo com o Dudu, ele não tinha problema com ninguém, era muito querido". Foi ela quem deu a notícia da morte para Carlinhos de Jesus. "Foi muito difícil dar a notícia, assim como está sendo para mim passar por esse momento".

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios, que já pediu as câmeras localizadas na rua onde ocorreu o crime para tentar identificar os criminosos. Durante o velório, ocorrido na tarde de sábado, o governador Sérgio Cabral esteve presente e prometeu que iria acompanhar as investigações.

Felipe Assumpção/AgNews
Carlinhos de Jesus chega ao cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro

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