Jogo do bicho: saiba como funcionava esquema de propina a PMs e policiais civis

PMs de UPP recebiam propinas semanais que variavam entre R$ 75 e R$ 150. Delegacia ganhava mensalmente R$ 16 mil. Bicheiros entregavam R$ 9.400 a batalhão da Polícia Militar

iG Rio de Janeiro |

As investigações da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro que culminaram com a operação que desarticulou nesta quarta-feira (29) uma quadrilha envolvida com o jogo do bicho na capital fluminense revelaram que os contraventores corrompiam PMs da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do morro da Providência, no Santo Cristo, na zona portuária.

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Segundo a denúncia do Ministério Público, um sargento conhecido pela alcunha de Chagas, que era um dos supervisores da UPP na Providência, recebia R$ 150 semanais para permitir a atuação de pontos do jogo do bicho dentro da área de atuação da unidade pacificadora. O dinheiro era dividido com outros PMs do posto.

Um outro sargento, identificado por André, que também era supervisor da UPP da Providência, recebia parte dos valores que eram repassados a Chagas. No entanto, durante as investigações, foi descoberto que Chagas não estava entregando mais o dinheiro ao colega de farda.

Com isso, André decidiu realizar uma operação contra os pontos do jogo ilegal na região. Os responsáveis pelas apostas, no entanto, lhe ofereceram R$ 200 para acabar com a repressão e ainda acertaram o pagamento de uma propina semanal de R$ 75.

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As investigações revelam também que um capitão PM, que é chefe do Serviço Reservado do 5º Batalhão da PM (Praça da Harmonia, Santo Cristo) recebia R$ 9.400 para impedir a atuação dos policiais da unidade na repressão ao jogo ilegal e para passar informações sobe eventuais ações realizadas na área de operação do batalhão. Com a redução do número de pontos de apostas, o valor da propina caiu para R$ 8.700.

Os bicheiros também pagariam, segundo as investigações, uma propina mensal de R$ 16 mil na 4ª Delegacia de Polícia (Central do Brasil). O dinheiro era entregue ao chefe do setor de investigações, inspetor Weber, que repartia os valores arrecadados com outros policiais. O titular da unidade, Henrique Pessoa, foi afastado por ordem da chefe da Polícia Civil, delegada Marha Rocha.

Os policiais envolvidos, de acordo com as investigações, ficavam à disposição da organização criminosa quando estavam fora do horário de serviço.

Um outro PM do 5º Batalhão atuava como segurança dos bicheiros. Um policial civil aposentado era encarregado de pagar propinas nas delegacias e um subtenente da reserva da PM entregava o dinheiro a PMs da área.

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