Em coração separatista, campanha é tímida e participação, pequena

Em Marabá, cotada para capital de Carajás, comitê do "Sim" fica praticamente vazio. Nas ruas, apenas adesivos em alguns carros

Wilson Lima, iG Maranhão |

Na saída do desembarque do aeroporto de Marabá , um funcionário de uma locadora de veículos exibe, com orgulho, um broche verde e amarelo com a inscrição “Sim” a Carajás. No estacionamento do terminal de passageiros, alguns veículos de luxo também exibem adesivos alusivos à campanha do Sim e na BR-230 (a Transamazônica), um morador caminha com uma blusa em verde e amarelo, cores adotadas na comunicação visual separatista. Mas aquilo que poderia ser um sinal de uma participação efetiva da população no projeto de emancipação de Carajás, na verdade, é apenas uma manifestação pontual de alguns raros eleitores. E isso no que pode ser a futura capital do Estado de Carajás.

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Faltando menos de uma semana para o plebiscito no Pará (a votação acontece no domingo, dia 11) que ouvirá a população sobre a possibilidade da criação dos Estados de Carajás e Tapajós, o clima nas ruas mal lembra uma campanha eleitoral. É mais fácil achar cartazes de eleições anteriores do que de propagandas da frente do “Sim” nas casas e nas ruas de Marabá. As manifestações de apoio da população resumem-se a adesivos automotivos e a parcos moradores vestidos com a camisa do “Sim”. Carros de som, jingles com o tema da campanha, entre outras peças publicitárias, mal são vistas em Marabá.

Nas ruas, o último dia de propaganda eleitoral gratuita pela manhã na televisão foi ignorado por muitos. As discussões sobre o futuro do Pará, como afirmam as campanhas pró e contra a divisão, praticamente não existe nas rodas de conversa. Além disso, a organização não ajuda a criar, digamos assim, o clima eleitoral. Nesta quarta-feira, por exemplo, apenas dois carros de som foram vistos na região central de Marabá convocando os moradores para uma carreata que será realizado no próximo sábado. Nem mesmo no comitê municipal do “Sim” a movimentação é intensa. O QG separatista em Marabá fica a maior parte do dia vazio.

O taxista Antônio Ribeiro Silva, de 45 anos, é natural do Maranhão e mora em Marabá há aproximadamente 15 anos. Ele afirma que durante toda a campanha não houve uma participação em massa dos moradores de Marabá. “Houve até um comício, mas não deu ninguém”, disse o taxista. “Sei lá. Acho que como essa eleição não tem promessa de político, as pessoas estão menos interessadas”, especulou.

A garçonete Maria Antônia Lima, de 27 anos, tem outra tese para essa apática campanha do “Sim” em um reduto separatista. “Acredito que as pessoas que realmente têm dinheiro não toparam investir. Até para vereador a campanha é mais intensa”, relatou. O mototaxista Zedilson Rodrigues da Silva, de 32 anos, discorda. “Depende da região em que você vá. Na periferia é mais fácil ver a propaganda do “Sim”, sem dúvida”, pontuou. Ele é um dos poucos que usa um adesivo do “Sim” em seu capacete.

Além de uma campanha tímida nas ruas, os separatistas ainda tiveram dificuldades em manter a campanha viva após perder um dia de propaganda gratuita de rádio e na televisão, por conta de uma decisão da Justiça Eleitoral.

Até para vereador a campanha é mais intensa”, diz moradora

Apesar da falta de propaganda nas ruas, os separatistas são maioria nas ruas de Marabá. São poucas as pessoas que se assumem unionista na região. O também mototaxista Soayk Carvalho, 30 anos, é uma destas pessoas. Nascido e criado em Marabá, ele critica o projeto de criação dos novos Estados. “Para gente, até pode ser uma boa ideia. Para o Brasil, acredito que não”, declara o mototaxista. “Aqui, se você fala que é contra a criação do Estado, tem gente que lhe recrimina e olha feio”, complementa. A cidade não tem comitê de campanha das frentes contra a divisão do Estado e adesivos ou propagandas unionistas não são vistas nem mesmo nos veículos.

Ex-marqueteiro de campanhas políticas no sul do Pará, o integrante da coordenação de campanha do “Sim”, Agenor Garcia, concorda que o clima não é típico de outras eleições. Mas nega que há falta de entusiasmo dos moradores da região. “Aqui você não vota em um candidato, mas em uma ideia. A forma de se fazer campanha é outra”, descreve.

O trabalho de mobilização do “Sim” teve palestras para jovens do ensino médio e várias  reuniões em associações. Distribuição de adesivos e panfletos ficaram em segundo plano, apesar de terem sido confeccionados 60 mil adesivos automotivos. A divulgação da campanha em carros de som está sendo realizada em 30 veículos, deslocados para as regiões mais inóspitas de Marabá. “A cidade não tem uma configuração geográfica que ajude em uma campanha tradicional”, finaliza Garcia.

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