Com 250 canoas, frente pela criação de Tapajós fecha rio Amazonas

Em Santarém, que será capital caso Estado seja criado, clima é de Copa do Mundo. Cidade fica mais perto de Manaus do que de Belém

Wilson Lima, enviado especial ao Pará |

Se na eventual capital de Carajás, Marabá, a campanha pela criação do Estado esfriou , em Tapajós ela entra nos últimos dias a plenos vapor. Num movimento sem precedente, 250 barcos e canoas fecharam o rio Amazonas em Santarém, que será capital de Tapajós caso Estado seja criado.

Três navios de mineradoras que transportam minério para o Porto Trombetas, no rio Amazonas, tiveram dificuldades para passar pelo cruzamento com o Rio Tapajós, em Santarém. Os navios passaram, mas com a ajuda de homens da Marinha e da Capitania dos Portos.

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O protesto foi uma forma de pescadores e moradores da região chamarem a atenção para, segundo eles, a necessidade de emancipação do Estado de Tapajós. Com faixas e bandeiras do “Sim”, os pescadores afirmaram que queriam “chamar a atenção do mundo” para os problemas estruturais de Santarém e cidades próximas.

O pescador Edilson Cândido da Rocha, de 18 anos, afirma que apenas com a divisão do Estado será possível resolver problemas como a falta de hospitais e estrutura viária precária da região. “Eu não acredito mais nos políticos de outras regiões. Sempre fomos esquecidos e não vai ser agora que vão lembrar da gente”, declarou o pescador.

Sílvio Amorim, um dos coordenadores da manifestação, foi mais longe e chamou a manifestação de uma “luta pela liberdade de um povo”. “Temos uma grande riqueza, mas estamos sendo explorados. Isso precisa acabar”, declarou Amorim. Os separatistas de Tapajós argumentam que “dão” ao governo do Estado R$ 800 milhões por ano em impostos e menos de R$ 150 milhões retornam para a região.

Os pescadores ficaram no rio Amazonas até o final da tarde, mas prometem voltar a ‘interditar’ o local na manhã deste sábado, véspera do plebiscito. Pelo menos 450 barqueiros prometem estar no rio Amazonas novamente neste sábado.

Na cidade

Quem desembarca em Santarém e vê fitas em verde e amarelo pelas ruas, em postes ou muros pintados nestas cores pode imaginar que a cidade ainda não retirou a decoração típica dos municípios brasileiros da Copa do Mundo de 2010. Mas o que em anos anteriores era uma forma de apoio à Seleção Brasileira de Futebol, hoje dá força a uma outra causa: a criação de Tapajós.

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Distante aproximadamente 1.500 quilômetros de Belém, o sentimento separatista em Santarém é muito forte. Se em Marabá há uma reclamação constante pela falta de presença do poder público estadual, em Santarém essa relação com a sede Belém é ainda pior.

Além da falta de identificação com a administração pública estadual, os moradores de Santarém também não tem identificação cultural com Belém. No meio da floresta e às margens do Rio Amazonas e Tapajós, Santarém tem uma identificação maior com Manaus, capital do Amazonas distante 740 quilômetros, do que com a capital do próprio Estado. Há mais barcos para Manaus do que para Belém, por exemplo. 

A campanha

Com fitas em verde e amarelo nas ruas, as cores do “Sim” também pintam muros e adesivos. A expressão “Sim Tapajós” é facilmente vista na porta de estabelecimentos comerciais, casas e em veículos. Há também faixas de apoio à divisão em algumas residências de Santarém.

Os números:

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Carros com bandeiras em verde e amarelo também são vistos. Carros de som com jingles de campanha, não. “Percebi aqui que podemos ajudar na campanha com coisas simples. Apenas fita e uma corda. Aproveitamos que a cidade se enfeita para festejos religiosos e também fazemos um pouco de campanha. É prático e barato”, disse o comerciante Antônio Silva, 47 anos.

Porém, tal como em Marabá, eles sabem que, sem o apoio de grande parte dos moradores de Belém, criar o Estado de Tapajós é uma tarefa quase impossível . "Sabemos que é uma missão ingrata. Mas com sorte nós conseguimos. Aqui quase todos são "Sim". O problema é que o "Não" tem maioria em outras regiões", analisa o taxista Ricardo Santos, 33 anos.

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