Eles serão menores, mas nós teremos prejuízo

Moradores de cidades atingidas pelas chuvas em Minas Gerais no começo deste ano se preparam para "pequenas tragédias" em janeiro

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O ano foi muito difícil e nós ficamos um pouco tranquilos com a limpeza do rio, que baixou o nível. Mas, se chover da mesma forma que choveu em janeiro, teremos prejuízos. Os prejuízos serão menores, mas nós teremos prejuízos”

Passados onze meses das chuvas que assolaram o Sul de Minas Gerais no começo deste ano, a sensação de insegurança ainda é latente entre moradores que conviveram em 2011 com a destruição causada pela força das águas.

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Enquanto a reconstrução de estradas e pontes não terminou em algumas cidades, a Defesa Civil mineira informa que, entre os dias 28 de novembro a 9 de dezembro, tempestades muito fortes são esperadas no Sul e Leste do Estado, Campo das Vertentes, Grande Belo Horizonte e Zona da Mata.

Uma frente fria chegou no dia primeiro e, com ela, há possibilidades de chuvas, alagamentos, quedas de árvores e deslizamentos de terra .

As cidades alagadas

No Sul de Minas, a pequena Alagoa, cidade de 2700 habitantes a 425 quilômetros de Belo Horizonte e 375 km de São Paulo, ainda não terminou reconstruções de pontes e estradas danificadas por enchentes, de acordo com informações da prefeitura. Em 20 de janeiro deste ano, o iG visitou a cidade com uma equipe do Exército, por um acesso bastante precário. Durante o percurso, até mesmo caminhão dos militares atolou no barro .

Os números da tragédia:

- Em um ano, número de afetados pelas chuvas sobe 179% em Minas

As histórias de quem perdeu tudo:

- "Só no olhar reconheço o desespero”: Após lutar no Haiti e sobreviver a enchentes em sua casa, sargento do Exército ajudou vítimas das chuvas em Minas Gerais

- "Quase morri na loja", diz comerciante que perdeu R$ 600 mil: Em Carvalhos, homem tenta salvar mercadorias, é submerso pelas águas, mas consegue escapar

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“Está tudo praticamente concluído, cerca de 80%. Ficamos muito isolados e tinha muita estrada para reabrir, na emergência. Começamos a reabrir e trabalhamos para não ter problemas”, diz o prefeito Sebastião Mendes Pinto (PSDB), que tenta reeleição no próximo ano. Questionado pelo iG se houve atraso nas obras, ele afirma estar tudo dentro do cronograma.

Apenas em obras referentes a pontes danificadas ou destruídas, lembra ele, são 20. De acordo com o prefeito, R$ 520 mil foram investidos pelo governo estadual e R$ 1,58 milhão veio do governo federal. Na época das enchentes, em janeiro, o prefeito havia estimado os custos para recuperação em R$ 20 milhões.

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Além da construção de pontes e estradas, a cidade contou com obras de assoreamento do Rio Ribeirão Vermelho, o que mais trouxe transtornos no começo do ano, quando transbordou. “Retiramos as famílias que viviam próximas ao rio. Se tivermos uma chuva normal, não haverá problema”, afirma o prefeito, que não detalhou quais pontes e estradas ainda estão em fase final e nem quando serão finalizadas. 

Também no Sul de Minas, a cidade de Carvalhos, com 4600 habitantes e a 350 quilômetros de Belo Horizonte, foi castigada pelas chuvas em janeiro. Conforme o prefeito José Geraldo de Souza (PTB), ainda há obra em fase final e nem tudo que foi destruído será recuperado. “Não deu para recuperar tudo, tudo, não. Recuperamos cerca de 90%”, informa ele ao iG , candidato à reeleição em 2012.

A última etapa das obras, diz o prefeito de Carvalhos, consiste na retirada de um barranco que ameaçava soterrar casas. “Foi um caos aqui”, relembra. Para evitar a repetição do “caos”, o rio dos Franceses, que transbordou em janeiro deste ano, foi desassoreado. “Creio que o rio baixou em um metro e que não teremos problema. Não sabemos o custo disso porque o governo estadual ficou responsável e encaminhou equipe e máquina para esta obra”, afirma o prefeito.

Comerciante recupera loja e teme novo prejuízo

Mesmo com obras de prevenção finalizadas (focadas em melhorias nos rios) e com as de recuperação de infraestrutura, moradores estão apreensivos. É o caso do comerciante Anderson Diniz Vilela, de 33 anos. O iG visitou a loja dele, a Casa Vilela, logo depois que uma tromba d´água destruiu diversas mercadorias comercializadas como computadores, aparelhos de televisão, eletrodomésticos e móveis.

Deixei de abrir outra loja e comprar imóvel por causa do empréstimo. É apertado, mas as prestações estão em dia, eu mantive meu quadro de funcionários e hoje minha loja está até melhor. O único problema é a dívida e o medo de acontecer de novo”

“O ano foi muito difícil e nós ficamos um pouco tranquilos com a limpeza do rio, que baixou o nível. Mas, se chover da mesma forma que choveu em janeiro, teremos prejuízos. Os prejuízos serão menores, mas nós teremos prejuízos”, conta ele, que, após perder R$ 600 mil em mercadorias, pegou um empréstimo bancário para recuperar seu negócio.

“O Estado ajudou a prefeitura, mas os comerciantes se viraram sozinhos. Estou persistindo no meu negócio, não posso desistir. O mérito é nosso, do comércio, da cidade e do povo. Não existe mérito de Estado e de política na recuperação do comércio e isso precisa ficar bem claro”, frisou ele, antes de completar: “Deixei de abrir outra loja e comprar imóvel por causa do empréstimo. É apertado, mas as prestações estão em dia, eu mantive meu quadro de funcionários e hoje minha loja está até melhor. O único problema é a dívida e o medo de acontecer de novo. Estou de olho no rio e na previsão do tempo. Se for chover demais, vou tirar todas mercadorias da loja”, planeja ele.

O governo do Estado

Por meio da Secretaria de Comunicação (Secom), o governo de Minas Gerais informou que há obras previstas para terminar em abril do próximo ano - logo depois da temporada de chuvas.

Entre as intervenções estão contenção de encostas, reforma de pontes, reforço em barragens e recapeamento de estradas. A fiscalização das obras é realizada pelo Estado, já o cronograma é de responsabilidade das prefeituras.

Ao todo, informou também a Secom, o governo do Estado, em parceria com a União, repassou R$ 70 milhões para ajudar as cidades atingidas pelas chuvas neste ano, sendo R$ 50 milhões do governo federal e R$ 20 milhões do estadual. O Estado não informou quantas cidades foram beneficiadas e não detalhou informações sobre os casos de Alagoa e Carvalhos.

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