Fotógrafo afirma que foi intimidado por grevistas no MA

Coordenação do movimento nega envolvimento no episódio; desde o final de semana, manifestantes evitam falar com jornalistas

Wilson Lima, iG Maranhão |

O repórter fotográfico Biaman Prado, do jornal O Estado do Maranhão , veículo de comunicação pertencente à família Sarney, afirmou que foi ameaçado e coagido por integrantes da greve da Polícia Militar na Assembleia Legislativa, ocupada pelos militares desde quarta-feira da semana passada. A coordenação do movimento negou qualquer tentativa de intimidação ao fotógrafo ou restrições ao trabalho da imprensa no local.

Wilson Lima/iG
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Prado registrou no início da tarde um boletim de ocorrência em uma delegacia de São Luís. Ele afirmou que foi abordado pelos grevistas após fazer imagens das manifestações. Nesse instante, ele foi levado para os fundos do prédio da Assembleia Legislativa quando recebeu as ameaças dos militares. “Eles perguntaram o que eu estava fazendo. Perguntaram pelas imagens e tentaram pegar a minha câmera, mas eu não deixei. Não houve agressão, mas houve intimidação”, relatou.

Nesse momento, integrantes do gabinete militar intervieram na confusão e retiraram o repórter fotográfico do local. O sargento Raimundo da Hora, um dos integrantes do comando de greve, afirmou que o episódio foi uma grande ‘fofoca’. “O comando de greve é pacífico. (A acusação) Não tem fundamento. Eles tem o trabalho deles e não restringimos a cobertura de profissionais da imprensa. Aliás, a imprensa tem sido nossa parceira nesse movimento”, disse Hora.

No sábado passado, os grevistas decidiram que não concederiam mais entrevistas a jornalistas do Sistema Mirante, grupo de comunicação da família Sarney. O movimento grevista tomou a decisão alegando “possíveis distorções” na cobertura da greve pela Mirante. “Eu não tenho nada contra a imprensa, agora não somos obrigados a falar com todo mundo”, explicou.

NEGOCIAÇÕES
As negociações entre grevistas e o governo do Estado avançaram na manhã desta quinta-feira . Os grevistas, que antes pediam 30% de aumento, reduziram a exigência de aumento salarial para 17,9%. O salário base passaria para R$ 2.391 na nova proposta dos grevistas. Na quarta-feira (30), o governo afirmou que aumentaria o salário dos PM’s para R$ 2.240. Hoje, o piso da categoria é de R$ 2.028.

“A nossa preocupação é com a sociedade. Queremos um desfecho para essa paralisação. Não somos irredutíveis. Agora, o governo também precisa fazer a parte dele porque nós já recuamos”, sugeriu Hora.

A próxima rodada de negociação entre militares e governo está marcada para esta sexta-feira (2) a partir das 14h.

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