Governo duplica estradas aéreas para mais aviões trafegarem

Estratégia é a mesma adotada para permitir o voo simultâneo de mais aeronaves no Atlântico Norte, entre Europa e Estados Unidos

Danilo Fariello, iG Brasília |

AFP
Mais aeronaves poderão voar em diferentes rotas sobre o mesmo espaço a partir de agora
O princípio que permitirá um maior aproveitamento do espaço aéreo brasileiro , conforme anunciado hoje pelo governo, é o mesmo que fez multiplicar o fluxo de aeronaves nos últimos anos sobre o Atlântico Norte, entre Europa e Estados Unidos. Com o avanço tecnológico recente, é possível que os aviões voem mais próximos um dos outros, com risco reduzido.

Leia também: Distância entre aviões no espaço aéreo fica menor

Teto desabou:
Cai teto de novo terminal do aeroporto de Guarulhos

Um especialista do governo em navegação aérea explica que, com o a maior exatidão de equipamentos de localização nos últimos anos, como o sistema GPS e os altímetros, e a precisão mais apurada dos radares, é possível que aviões voem com menos espaço entre eles mantendo o mesmo nível de segurança.

Explica ele que os espaço aéreo, olhando-se de maneira vertical, é como uma auto-estrada, com pelo menos uma mão e uma contramão. Mas podem haver diversas pistas que vêm e vão, como as marginais em São Paulo, a Avenida Brasil no Rio de Janeiro ou o eixão e os eixinhos em Brasília.

Atualmente, no Brasil, existem até três aerovias que vêm e vão em um determinado espaço. Isso significa que, em um curto espaço de tempo, por aquele trecho podem passar até três aviões em diferentes rotas.

Isso explica o fato de, muitas vezes, você olhar da janela de um avião e ver outro passando bastante próximo, em rota diferente, explica o especialista.

Com a redução na distância entre as aeronaves de 10 milhas para 5 milhas, isso significa que, a princípio, esse mesmo espaço poderá ter até seis aviões passando por ali, como se uma via elevada fosse construída sobre a estrada já existente.

Para ele, com a mudança não aumenta o risco de acidentes nos voos por conta do desenvolvimento tecnológico nos últimos anos, tanto de aviões quanto de equipamentos de controle. O especialista diz que, hoje, a probabilidade de um acidente como o que envolveu o Gol 1907 em 2006 é muito mais reduzida.

Mais cuidado de pilotos e controladores

Para os controladores de voo, a novidade deve exigir mais cuidado principalmente por conta da possibilidade de haver mais aviões no mesmo espaço. Pelo lado dos aviões, os equipamentos e seus pilotos têm de ser maios apurados para não sair da rota.

Outra expectativa do especialista, que ainda não tomou conhecimento completo da estratégia, é do fim das rotas que não são absolutamente retas. Ele explica que, um avião que parte de Brasília para Manaus, por exemplo, pode passar por cima da base aérea de Cachimbo (PA) ou de Jacareacanga (PA), onde estão importantes pontos de controle, mas não necessariamente no caminho. Com rotas mais retas, o tempo dos voos diminui e a produtividade aumenta.

No Atlântico Norte, o espaço entre os aviões já é menor do que dez milhas, chegando a menos de cinco nas proximidades dos grandes centros urbanos. No Brasil, essa redução da faixa das aerovias começa nas regiões que concentram mais rotas. A meta do governo é, conforme a necessidade e o avanço tecnológico maior das aeronaves que por aqui circulam permitir, reduzir ainda mais o espaço das aerovias.

    Leia tudo sobre: caos aéreoaviaçãoaeroportos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG