Caso Dorothy Stang

Conhecida pelo trabalho junto a pequenos agricultores, missionária norte-americana é morta com seis tiros, na cidade de Anapu, no Pará

Alessandra Oggioni, especial para o iG São Paulo |

Em 12 de fevereiro de 2005, aos 73 anos, a missionária norte-americana Dorothy Mae Stang foi assassinada com seis tiros, na cidade de Anapu, no Pará. Cinco pessoas foram acusadas de envolvimento no crime e condenadas pela Justiça.

Naturalizada brasileira, a irmã Dorothy chegou ao país em 1966 e, por 20 anos, atuou na região do Pará ao lado de pequenos agricultores na luta pela geração de emprego, reflorestamento e redução dos conflitos fundiários. Um de seus principais trabalhos missionários foi o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança, que procurava aliar a agricultura familiar à preservação da floresta amazônica.

No dia do crime, segundo a polícia, Dorothy estava a caminho de um encontro com agricultores em uma estrada de terra em Anapu, quando foi interceptada por Clodoaldo Carlos Batista, o “Eduardo”, e Rayfran das Neves Sales, o “Fogoió”, que teria efetuado os disparos.

A morte de Dorothy teria sido encomendada pelo valor de R$ 50 mil, intermediados por Amair Feijoli da Cunha, a mando do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o “Bida”, e do pecuarista Regivaldo Pereira Galvão, o “Taradão”. O motivo seria a atuação da missionária na reivindicação da criação de assentamentos, o que contrariava os interesses de alguns fazendeiros da região.

Desde então, o crime teve diversos desdobramentos. Os executores Rayfran das Neves Sales (réu confesso) e Clodoaldo Batista foram sentenciados a 28 anos e a 17 anos de reclusão, respectivamente. Amair Feijoli, o “Tato”, foi condenado a 27 anos de prisão por ter contratado os pistoleiros, mas teve a pena reduzida para 18 anos por colaborar com o processo, com o benefício da delação premiada. Os três, no entanto, cumpriram um sexto da pena e progrediram para o regime semiaberto.

Já o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura enfrentou três julgamentos. Depois de ser condenado à pena de 30 anos, em 2007, foi absolvido por cinco votos a dois no segundo julgamento, em maio de 2008, após Rayfran ter assumido sozinho a autoria do crime. Mas o Ministério Público recorreu e, em 2009, a absolvição foi anulada, mantendo os 30 anos de condenação em regime fechado. Ele nega a participação no crime.

Regivaldo Pereira Galvão, último a passar pelo júri popular, em 2010, foi sentenciado a 30 anos de reclusão. Ele também nega o envolvimento no caso.

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