Sem acordo entre PMs e governo, permanece clima de tensão em Salvador

Para o líder grevista, "sem revogação não tem negociação". Greve já dura nove dias e assassinatos chegam a 129 na capital e região metropolitana

Cintia Kelly, especial para o iG, em Salvador |

A greve da Polícia Militar da Bahia já dura nove dias e não há previsão de acabar. Depois do fracasso da reunião de negociação que pretendia dar fim à greve, terça-feira (7) à noite, ainda não há nova data para que governo e associações de policiais tentem um novo acordo.

O líder dos grevistas Marcos Prisco afirmou, nesta quarta-feira, que a greve só será encerrada quando o governo revogar os 12 mandados de prisão contra os policiais grevistas . Dois já foram cumpridos em Salvador. "Sem revogação não tem negociação", disse. No entanto, em diversas oportunidades, o governador Jaques Wagner disse que esse ponto não será negociado.

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Tropas federais permanecem cercando a Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador, nesta quarta

O arcebispo de Salvador, Murilo Krieger, divulgou uma nota deixando a mediação das conversas entre governo e policiais. "Como mediador não me cabe falar dos resultados das negociações. O que posso assegurar é que não me alinhei com nenhuma dessas partes porque meu compromisso é com o povo da Bahia. A Bahia quer paz, a Bahia precisa de paz", disse o bispo.

Hoje pela manhã, a movimentação militar em torno da Assembleia Legislativa foi intensa. O efetivo do Exército foi aumentado em 500 homens, somando hoje 1,3 mil militares. Dois helicópteros do Exército fizeram vários rasantes, sobrevoando principalmente a área onde se concentram parentes dos policiais acampados. Um dos helicópteros chegou a pousar no campo em frente ao prédio, onde há também barracas dos manifestantes.

Clima de tensão

Logo após a infeliz tentativa de acordo, entre os grevistas e o governo do Estado, água e luz voltaram a ser cortadas na Assembleia Legislativa. Os homens das tropas federais também já não permitem mais a entrada de mantimentos e remédios. Na parte da tarde, o comandante da operação, o coronel Gonçalves Dias, havia liberado.

Por conta da tensão e do difícil acesso ao centro administrativo, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público e o Tribunal Regional Eleitoral só retomarão suas atividades quando a greve chegar ao fim.

A aulas continuam suspensas nas escolas públicas e privadas. Em alguns bairros, lojas de eletrodomésticos, alvo preferido dos saqueadores, estão fechadas. No bairro de Itapoã, área litorânea de Salvador, uma grande rede de lojas decidiu não abrir e outra concorrente preferiu abrir apenas meia-porta.

Mortes

Do dia 31 (início da greve) até nesta manhã, 129 pessoas foram assassinadas em Salvador e região metropolitana. Em feveiDiversas cidades do interior também têm sofrido com a greve da PM. Em Vitória da Conquista, 3ª maior cidade do Estado, apenas o autoatendimento dos bancos estão funcionando. A Câmara Municipal suspendeu os trabalhos. Poucas lojas se arriscaram a abrir as portas .

No município de Jacobina lojas e bancos foram metralhados. Os prédios das secretarias de Educação, Ação Social e Saúde também foram alvejados por tiros. Em Barreiras, no oeste da Bahia, o fórum e o cartório eleitoral também não funcionaram hoje. Em Feira de Santana, a segunda maior cidade da Bahia, 24 pessoas foram assassinadas nos últimos nove dias. Esse número é 50% maior do que foi registrado durante todo do mês de fevereiro do ano passado.

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