Adolescente confessa que ligou e montou no jet ski que matou menina

Acidente ocorreu em Bertioga; em depoimento à Vara da Infância, adolescente chorou e e disse que foi autorizado por um adulto

iG São Paulo |

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Criança tinha apenas 3 anos e foi atingida por jet ski enquanto brincava
O adolescente de 13 anos, acusado de pilotar o jet ski que atropelou e matou no sábado a menina Grazielly Almeida Lames, de 3 anos, em Bertioga, admitiu nesta sexta-feira(24) que ligou e montou na embarcação.

A confissão foi feita em oitiva informal - depoimento previsto no artigo 179 do Estatuto da Criança e do Adolescente - na Vara da Infância e Juventude da cidade. O adolescente também chorou muito e disse que levava na garupa outro garoto de 13 anos.

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A promotora Rosana Colletta, que ouviu na manhã desta sexta-feira o adolescente, diante dos pais e advogado, disse que não poderia dar maiores detalhes sobre a oitiva, por se tratar de caso sigiloso.

Mas afirmou que "ele não negou os fatos" e declarou que foi autorizado por um adulto a andar no jet ski. "A versão dele é praticamente igual à das testemunhas ouvidas na delegacia. Ele declarou que somente deu a partida no jet ski e assumiu que estava na praia na hora do acidente".

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À noite, adolescente repetiu as mesmas informações ao delegado Maurício Barbosa, titular da delegacia de Bertioga, que investiga o caso. Ele foi ouvido na companhia dos pais. Eles chegaram pelos fundos do prédio, em um carro com os vidros escuros e placas de Mogi das Cruzes.

A polícia também ouviu nesta sexta-feira mais três testemunhas que estavam na Praia de Guaratuba na hora do acidente. Eram três turistas - de Mogi das Cruzes, Hortolândia e São Bernardo do Campo.

Segundo o advogado da família de Grazielly, José Beraldo, uma das testemunhas disse ter visto um homem levando o jet ski até a praia, trafegando em um quadriciclo de cor vermelha, com um reboque que transportava o aparelho. O homem, segundo Beraldo, seria o caseiro Erivaldo Augusto Cardoso. Ainda segundo a testemunha, identificada como Daniele Cristina, o homem teria retornado ao condomínio de luxo, deixando V. e outro adolescente com o jet ski.

Beraldo afirmou que uma segunda testemunha disse que estava na praia com sua filha, também de 3 anos, quando viu três pessoas levando o jet ski até o mar. Dois adolescentes subiram no aparelho e aceleraram. A embarcação teria "empinado" e eles caíram. Nesse momento, o jet ski seguiu desgovernado, atingindo Grazielly.

Até hoje, oito testemunhas haviam prestado depoimento. Os pais de Grazielly e dois tios prestaram as declarações na manhã de ontem, mesmo dia marcado para o depoimento do adolescente, que acabou não comparecendo - seu advogado, Maurimar Chiasso, desmarcou a oitiva temendo a assédio da imprensa e de populares.

O advogado da família do adolescente, Maurimar Chiasso, afirmou o garoto ligou o jet ski mas não o conduziu até a praia .

Nesta quinta-feira, o adolescente evitou prestar depoimento por segurança.

“Está criado um clima de comoção tanto pela imprensa como pela sociedade. Em razão da segurança do meu cliente eu não vou apresentá-lo hoje”.

Caso

Grazielly Lames, 3 anos, estava na areia da praia de Guaratuba, próxima ao mar, quando foi atingida pelo jet sky, por volta das 18h15 de sábado (18).

Testemunhas afirmam que viram o adolescente de aproximadamente 14 anos conduzindo o jet ski. Ele teria perdido controle da embarcação, que seguiu desgovernado para a praia, atingido a criança.

A mãe da menina, a auxiliar de panificação Cirleide Rodrigues de Lames, de 24 anos, contou não ter escutado barulho, nem ter visto o jet ski se aproximar. Segundo a mãe, após o atropelamento, o adolescente pulou de veículo e deixou o local.

Grazielly foi enterrada na manhã desta segunda-feira (20) na cidade onde morava, Arthur Nogueira, região de Campinas, no interior de São Paulo. O corpo chegou ao velório do cemitério municipal por volta das 20h30 de domingo e foi sepultado às 10h.

A família de Grazielly é representada pelo criminalista José Beraldo, que atuou como advogado da família de Eloá . Segundo ele, a demora do resgate, a omissão de socorro e a fuga da família do adolescente serão questionados.

* Com Agência Estado

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