Violência é sentida de forma diferente dependendo do sexo da pessoa; pesquisa também apontou os meios de transportes mais usados na favela

Moradoras do Complexo do Alemão fazem protesto pacífico e silencioso pedindo paz na comunidade
Tomaz Silva/Agência Brasil
Moradoras do Complexo do Alemão fazem protesto pacífico e silencioso pedindo paz na comunidade

Ainda mais que os homens, as mulheres moradoras do Complexo do Alemão, na zona Norte do Rio de Janeiro, se sentem inseguras na comunidade devido à violência. Segundo um estudo, os impactos da militarização da vida na favela são sentidos de forma diferente dependendo do sexo do morador.

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A pesquisa “Ninguém entra, ninguém sai. Mobilidade urbana e direito à cidade no Complexo do Alemão ”, do Brics Policy Center – organização vinculada ao Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – apontou que 46,4% das mulheres abordadas disseram não se sentir seguras na comunidade por conta dos constantes tiroteios. Entre os homens, o percentual é 34,2%. A pesquisa ouviu 163 pessoas.

“A diferença entre o índice de sensação de insegurança proporcional entre mulheres e homens é sintomático de como a sensação de (in)segurança, em um contexto de violência extrema, é atravessada por um corte de gênero significativo, na qual as mulheres se sentem mais vulnerabilizadas que os homens”, diz a publicação.

Transporte público na comunidade

O estudo identificou também quais são os meios de transporte mais utilizados pelos moradores da comunidade, quando eles vão acessar a cidade. 

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Segundo os estudo, 52,2% dos entrevistados utilizam ônibus; 12,4% usam mototáxi; 12% kombi; 10% carro; 7,2% metrô ou trem; 4,3% moto; 1% bicicleta e 1% anda a pé.

Mesmo sendo o meio de transporte mais utilizado, 29,1% dos entrevistados afirmaram que o ônibus é de péssima qualidade; outros 17,28% disseram que o meio de transporte tem uma qualidade ruim; 34,57% responderam que é regular; 16,67%, boa e apenas 2,47% disseram ser ótima.

“Em outras palavras, mais da metade dos entrevistados têm um acesso ao serviço público de transporte cada vez mais precarizado, o que contribui para restringir não só a qualidade destes serviços, mas, sobretudo, a qualidade do seu acesso à cidade do Rio de Janeiro”, aponta o texto.

Dentro da favela, a situação é outra. “A comunidade não conta com o serviço público de transporte coletivo e recorre a outros meios que suprem a falta de ônibus dentro dos limites territoriais da comunidade”, mostra o estudo.

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Ao serem perguntados sobre o meio de se locomoverem dentro do Complexo do Alemão, 47,8% dos entrevistados afirmaram andar a pé para ir de um lugar ao outro da comunidade; 31,3% disseram utilizar mototáxi; 9,3% afirmaram usar kombi; 3,8% utilizam carro próprio; outros 3,8% usam bicicleta; 0,5% moto e 3,3% não responderam.

* Com informações da Agência Brasil.

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