Após países importadores anunciarem embargos, presidente voltou a minimizar o peso das denúncias reveladas pela Operação Carne Fraca

Michel Temer disse que Trump concorda em levar adiante uma agenda de investimentos dos EUA no Brasil
Beto Barata/PR - 20.3.17
Michel Temer disse que Trump concorda em levar adiante uma agenda de investimentos dos EUA no Brasil

O presidente Michel Temer defendeu nesta segunda-feira (20) que os frigoríficos brasileiros não sejam prejudicados pelas denúncias investigadas pela Polícia Federal na Operação Carne Fraca , deflagrada na última sexta-feira (17). Em evento em São Paulo, o presidente destacou que as irregularidades são praticadas por apenas uma pequena parte do setor.

“O agronegócio é para nós uma coisa importantíssima e não pode ser desvalorizado por um pequeno núcleo, uma coisa que será menor: apurável, fiscalizável e punível, se for o caso. Mas não pode comprometer todo o sistema que nós montamos ao longo dos anos. Exportamos para mais de 150 países”, disse Temer a uma plateia de empresários na sede da Câmara Americana de Comércio, na capital paulista.

A Operação Carne Fraca atingiu algumas das maiores empesas do ramo alimentício do País, como JBS, BRF e Peccin, acusadas de praticar uma série de fraudes para ocultar o uso de matéria-prima vencida ou de qualidade inferior na fabricação dos produtos.

O presidente destacou que o número de funcionários públicos envolvidos (33) é pequeno em comparação ao tamanho do quadro do Ministério da Agricultura, de mais de 11 mil servidores. “Nós temos sistemas rigorosíssimos de avaliação sanitária aqui no Brasil”, enfatizou. Os servidores são acusados de receber propina para liberar produtos que não atendiam às normas legais.

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De acordo com ele, também é pequeno o número de plantas industriais sob suspeita (21), tendo em vista o tamanho do setor, que conta com mais de 4,8 mil estabelecimentos.

O presidente mencionou ainda encontros que teve nos últimos dias, tanto para se inteirar do assunto, quanto para tranquilizar os países importadores de alimentos brasileiros. “Eu tive várias reuniões em Brasília. Primeiro, com os ministros das áreas envolvidas com essa matéria. Depois, com as associações dos produtores de carne da mais variada espécie e com os embaixadores dos países que importam a carne brasileira. E acabamos, muito fraternalmente, comendo um churrasco na noite de ontem com todos os representantes dos países que lá se achavam”, disse.

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Conversa com Trump

Temer comentou sobre o telefonema recebido no último sábado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foi a segunda conversa telefônica entre os dois. “Ambos concordamos em levar adiante uma agenda de investimentos. Tanto que Sua Excelência disse: 'precisamos fazer logo uma reunião aqui nos Estados Unidos ou no Brasil com empresários brasileiros e americanos'”, disse ao explicitar parte do teor do diálogo.

Para melhorar o comércio bilateral, Temer disse que tem buscado reduzir os entraves para importações e exportações no Brasil. “Não sem razão que nós estamos reduzindo a burocracia”, enfatizou.

*Com informações e reportagem da Agência Brasil