Operação Carne Fraca investiga esquema de fraudes na fiscalização do setor de alimentos; ao todo, 38 pessoas serão presas em oito cidades brasileiras

Nome da operação faz referência à expressão popular
Divulgação/Polícia Federal - 11.8.16
Nome da operação faz referência à expressão popular "a carne é fraca" a fim de demonstrar a fragilidade moral dos agentes públicos

Mais de mil agentes da Polícia Federal (PF) cumprem desde as primeiras horas desta sexta-feira (17) 309 mandados judiciais, sendo 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão na Operação Carne Fraca

Nessa operação , a PF, em parceria com a Receita Federal e o Ministério Público Federal,  investiga uma organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio.

Segundo as investigações iniciais, servidores das superintendências regionais do Ministério da Pesca e Agricultura nos estados do  Paraná, Minas Gerais e Goiás “atuavam diretamente para proteger grupos de empresários em detrimento do interesse público”.

A Carne Fraca está sendo deflagrada nas cidades de Curitiba, Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Goiânia.

De acordo com a PF, os fiscais se utilizavam dos cargos para, mediante propinas, facilitar a produção de alimentos adulterados por meio de emissão de certificados sanitários sem que a verificação da qualidade do produto fosse feita.

Os agentes fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) que não aceitavam compactuar com as irregularidades investigadas eram afastados de seus locais de trabalho, removidos ou exonerados de suas funções pelos ocupantes de cargos de chefia envolvidos no esquema.

Além de ampliar os lucros das empresas produtoras, o esquema criminoso gerava proveitos financeiros expressivos aos participantes, os quais resultavam em bens ocultos ou
registrados em nome de terceiros, além de outras formas de ocultação e de lavagem de dinheiro.

Dentre as operações investigadas de lavagem dos recursos ilícitos gerados a partir das atividades criminosas, destacam-se a distribuição de rendimentos ou lucros e dividendos de empresas sem existência real ou sem atividade operacional, a montagem de uma rede de franquias de fast-food em nome de testas-de-ferro e a aquisição de imóveis em nome de terceiros.

"A carne é fraca"

O nome da operação faz referência à expressão popular "a carne é fraca" a fim de demonstrar a fragilidade moral dos agentes públicos envolvidos nas fraudes e que "deveriam zelar e ficalizar pela qualidade dos alimentos fornecidos à sociadade", diz a nota da PF.

* Com informações da Agência Brasil.