Ao apresentar 'pacotaço' com quase 40 medidas, governador José Ivo Sartori admitiu que reforma é "dura" e voltou a alertar sobre "calamidade financeira"

Elza Fiuza/Agência Brasil - 26.8.16
"Não podemos tapar o sol com a peneira": governador do RS lamentou situação financeira durante anúncio de cortes

O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), anunciou na tarde desta segunda-feira (21) cortes em secretarias e órgãos estaduais em um esforço para estancar a crise financeira que atinge o estado há mais de um ano .

Entre as quase 40 medidas previstas no 'pacotaço' de Sartori estão a fusão de secretarias, que passarão das atuais 20 para 16, a extinção de nove fundações estaduais, de uma companhia e de uma autarquia estaduais. Também está previsto o pagamento escalonado do salário de servidores, pagando primeiro aqueles com os salários mais baixos. A equipe do peemedebista estima que as mudanças provoquem economia de R$ 6,7 bilhões aos cofres do governo do RS pelos próximos quatro anos.

Durante o anúncio, Sartori admitiu que as medidas anunciadas são "duras", mas garantiu que as mudanças "desenham um novo estado e um novo futuro, apoiado no empreendedorismo, na sustentabilidade e na justiça social".

"Estamos diante da mais severa crise das finanças públicas da história do estado", disse o governador, que voltou a afirmar que a situação econômica do estado é de "calamidade". "Não podemos tapar o sol com a peneira. Nosso estado não consegue pagar os servidores em dia. E essa calamidade financeira também gera uma calamidade para a segurança , que é o que o povo mais teme", declarou Sartori.

Em tom alarmista, o governador também sugeriu que, caso as medidas acabem rejeitadas na Assembleia Legislativa do estado, o governo não terá como manter em dia os pagamentos da Previdência Social.

O anúncio do pacote de medidas estava inicialmente previsto para ocorrer nesta terça-feira (22), mas foi antecipado para que Ivo Sartori pudesse participar, em Brasília, de uma reunião para discutir justamente a crise financeira dos estados.

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Crise

A crise gaúcha começou a dar sinais de agravamento no segundo semestre do ano passado, quando o governo federal anunciou, por três meses seguidos, bloqueios nas contas do governo do RS devido a atrasos na quitação de dívidas com a União. A medida provocou o retardamento no pagamento de salário dos servidores estaduais e, consequentemente, protestos de várias frentes sindicais. Após uma série de negociações e recursos no Supremo Tribunal Federal, os ministros do STF decidiram suspender a cobrança das dívidas estaduais até o selamento de um acordo entre o governo federal e os estados– o que foi ocorrer no fim de junho deste ano.

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