Estado havia proibido protestos por conta de passagem da tocha paralímpica na Av. Paulista, mas, após impasse, liberou atos para final da tarde no local

Manifestantes da Frente Brasil Popular em protesto contra governo Temer na última quinta-feira (1º) em São Paulo
Facebook/Reprodução
Manifestantes da Frente Brasil Popular em protesto contra governo Temer na última quinta-feira (1º) em São Paulo


Após um impasse que levou movimentos contra o impeachment a desafiarem o governo Geraldo Alckmin , a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo decidiu autorizar a manifestação contra o presidente Michel Temer marcada para o próximo domingo (4) na Avenida Paulista.

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A gestão tucana havia proibido a promoção de quaisquer manifestações políticas na avenida ao longo de domingo sob a justificativa de que a tocha paralímpica passará pelo local na data. O veto ao ato contra Temer  foi divulgado pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo na quinta-feira (1º) – os Jogos Paralímpicos começam na próxima quarta-feira (7).

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Em nota divulgada no início da noite desta sexta-feira (2), a SSP afirmou ter chegado a um acordo com os organizadores para adiar o início dos protestos para 16h30, quando a tocha paralímpica já tiver passado pela via. Inicialmente, os grupos tinham o objetivo de ocupar Paulista a partir das 15h, quando poderia ocorrer encontro entre o evento dos Jogos e a manifestação.

Deborah Fabri, de 19 anos, afirma ter perdido a visão do olho esquerdo em confronto com a PM durante protesto
Mel Coelho /Mamana Foto Coletivo
Deborah Fabri, de 19 anos, afirma ter perdido a visão do olho esquerdo em confronto com a PM durante protesto


Escalada de violência

Desde de a confirmação do impeachment de Dilma Rousseff na última quarta-feira (31), protestos a favor da ex-presidente foram marcados por confrontos com a Polícia Militar na capital paulista. 

Os atos começaram na Avenida Paulista e continuaram pela rua da Consolação, onde os manifestantes foram dispersados. 'Black blocs' infiltrados promoveram a depredação de prédios (públicos e privados) e violência na região central da cidade. Uma série de estabelecimentos comerciais e agências bancárias foram destruídas.

A jovem Deborah Fabri, de 19 anos, afirmou ter perdido a visão do olho esquerdo na manifestação. Testemunhas dizem que Deborah foi atingida por estilhaços de bombas lançadas pela PM. 

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Em nota, o Ministério Público do Estado de São Paulo informou estar "observando as ocorrências" e afirmou que, até o momento, não designou um promotor de justiça para acompanhar as investigações do caso porque Deborah "não procurou a autoridade policial".

Em relato à revista "Veja", o estudante de direito da Universidade Mackenzie Eduardo Magnoni também disse ter sido atingido no rosto por uma pedra lançada por um 'black bloc' que passava junto aos manifestantes pela rua Maria Antônia, do bairro de Higienópolis, na última quarta-feira (31). 

* Com reportagem de Luis Ottoni

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