Resultado de pesquisa sobre ataques contra mulheres estava errada, diz Ipea

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Segundo o Ipea, 26% dos entrevistados, e não 65%, concordavam com a afirmação "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas"

O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgou um comunicado nesta sexta-feira (04) em que pede "desculpas" e informa que errou na divulgação de dois resultados do estudo "Tolerância social à violência contra as mulheres". No dia 27 do mês passado, o instituto divulgou que 65% dos brasileiros apoiava ataques contra mulheres que usam roupas curtas.

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O resultado da pesquisa gerou uma série de campanhas na internet e até a presidente Dilma Rousseff se posicionou sobre o assunto. Veja abaixo imagens da campanha:

Nana Queiroz teve a ideia da campanha nas redes sociais 'Não mereço ser estuprada', após pesquisa do Ipea. Foto: ReproduçãoIpea informou nesta sexta (4) que 26% dos entrevistados e não 65% veem mulher como responsável por violência. Foto: Reprodução/FacebookIpea informou nesta sexta (4) que 26% dos entrevistados e não 65% veem mulher como responsável por violência. Foto: Reprodução/FacebookIpea informou nesta sexta (4) que 26% dos entrevistados e não 65% veem mulher como responsável por violência. Foto: Reprodução/FacebookIpea informou nesta sexta (4) que 26% dos entrevistados e não 65% veem mulher como responsável por violência. Foto: Reprodução/FacebookIpea informou nesta sexta (4) que 26% dos entrevistados e não 65% veem mulher como responsável por violência. Foto: Reprodução/FacebookIpea informou nesta sexta (4) que 26% dos entrevistados e não 65% veem mulher como responsável por violência. Foto: Reprodução/FacebookIpea informou nesta sexta (4) que 26% dos entrevistados e não 65% veem mulher como responsável por violência. Foto: Reprodução/FacebookIpea informou nesta sexta (4) que 26% dos entrevistados e não 65% veem mulher como responsável por violência. Foto: Reprodução/FacebookIpea informou nesta sexta (4) que 26% dos entrevistados e não 65% veem mulher como responsável por violência. Foto: Reprodução/FacebookIpea informou nesta sexta (4) que 26% dos entrevistados e não 65% veem mulher como responsável por violência. Foto: Reprodução/FacebookIpea informou nesta sexta (4) que 26% dos entrevistados e não 65% veem mulher como responsável por violência. Foto: Reprodução/Facebook

Segundo o Ipea, esse erro foi causado pela troca dos gráficos relativos aos percentuais das respostas às frases “Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar” e “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”

Por isso, diferentemente do divulgado, 26% - e não 65% - dos entrevistados concordavam, totalmente ou parcialmente, com a afirmação "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas". A maior parte, 70%, discordou total ou parcialmente desta afirmação. 3,4% se disseram neutros.

Veja abaixo os resultados corrigidos:

Ipea
Resultados corretos para duas perguntas que tiveram erro em sua divulgação

De acordo com o instituto, o outro par de questões cujos resultados foram invertidos refere-se a frases de sentido mais próximo, com percentuais de concordância mais semelhantes e que não geraram tanta surpresa. 

A pesquisa: Brasileiro ainda considera mulher responsável por violência sexual

O estudo teve como objetivo medir a tolerância social à violência contra as mulheres, fazendo um levantamento de opiniões e percepções da sociedade brasileira sobre questões como o sexismo e a violência contra as mulheres. A pesquisa pediu opiniões sobre a pertinência ou não de intervenção estatal em brigas de marido e mulher, e sobre se comportamentos femininos supostamente influenciam casos de agressão e estupro.

Em sua nota, o Ipea informa que apesar dos erros nas duas questões, os demais resultados se mantêm, como a concordância de 58,5% dos entrevistados com a ideia de que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”.

Após a detecção da erro na pesquisa, o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Rafael Guerreiro Osorio, pediu sua exoneração do cargo.

Veja a nota divulgada pelo Ipea:

"Vimos a público pedir desculpas e corrigir dois erros nos resultados de nossa pesquisa “Tolerância social à violência contra as mulheres”, divulgada em 27/03/2014. O erro relevante foi causado pela troca dos gráficos relativos aos percentuais das respostas às frases “Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar” e “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”

Corrigida a troca, constata-se que a concordância parcial ou total foi bem maior com a primeira frase (65%) e bem menor com a segunda (26%). Com a inversão de resultados entre as duas questões, relatamos equivocadamente, na semana passada, resultados extremos para a concordância com a segunda frase, que, justamente por seu valor inesperado, recebeu maior destaque nos meios de comunicação e motivou amplas manifestações e debates na sociedade ao longo dos últimos dias.

O outro par de questões cujos resultados foram invertidos refere-se a frases de sentido mais próximo, com percentuais de concordância mais semelhantes e que não geraram tanta surpresa, nem tiveram a mesma repercussão. Desfeita a troca, os resultados corretos são os que seguem. Apresentados à frase “O que acontece com o casal em casa não interessa aos outros”, 13,1% dos entrevistados discordaram totalmente, 5,9% discordaram parcialmente, 1,9% ficou neutro (não concordou nem discordou), 31,5% concordaram parcialmente e 47,2% concordaram totalmente. Diante da sentença “Em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, 11,1% discordaram totalmente, 5,3% discordaram parcialmente, 1,4% ficaram neutros, 23,5% concordaram parcialmente e 58,4% concordaram totalmente.

A correção da inversão dos números entre duas das 41 questões da pesquisa enfatizadas acima reduz a dimensão do problema anteriormente diagnosticado no item que mais despertou a atenção da opinião pública. Contudo, os demais resultados se mantêm, como a concordância de 58,5% dos entrevistados com a ideia de que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”. As conclusões gerais da pesquisa continuam válidas, ensejando o aprofundamento das reflexões e debates da sociedade sobre seus preconceitos. Pedimos desculpas novamente pelos transtornos causados e registramos nossa solidariedade a todos os que se sensibilizaram contra a violência e o preconceito e em defesa da liberdade e da segurança das mulheres.

Rafael Guerreiro Osorio* e Natália Fontoura
Pesquisadores da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc/Ipea) e autores do estudo
* O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea pediu sua exoneração assim que o erro foi detectado".

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