Somente no ano passado, órgão realizou 301 operações, 56 delas específicas para o combate à corrupção. Fenapef fala em sucateamento do órgão com queda de indiciamentos

A Polícia Federal (PF) bateu no ano passado recorde histórico da quantidade das chamadas “Operações Especiais” realizadas pelo órgão. Foram 301 operações especiais para combate à corrupção, desvio de recursos públicos, tráfico de drogas entre outras. Até então, 2012 era tido como o ano em que a PF havia batido recordes nesse número de operações.

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Destas 301 operações especiais, 56 foram específicas para o combate à corrupção – índice de 19%, conforme o órgão. Na prática, a cada cinco operações da PF, uma é destinada somente ao combate à corrupção. A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), no entanto, em levantamento divulgado nesta terça-feira, declara que houve redução de até 60% no volume de indiciamentos na PF entre 2010 e 2013. Números que são contestados pelo órgão. 

Agentes federais realizam 'algemaço' no Distrito Federal
Agência Brasil
Agentes federais realizam 'algemaço' no Distrito Federal


Oslain Santana, diretor de investigação e combate ao crime organizado da PF, afirma que a tendência era que esses números relacionados a operações especiais fossem ainda maiores. Isso porque, no ano passado, a Polícia Federal ainda esteve envolvida no policiamento da Copa das Confederações e também da visita do Papa Francisco ao Brasil.

Segundo Santana, não houve redução no volume de trabalho na PF, mas uma mudança estratégica na forma de se divulgar as operações especiais. “Hoje, temos praticamente uma operação por dia. Hoje fazemos o dobro de operações que fazíamos em 2006 e isso não chama tanto a atenção e não fica tanto no imaginário das pessoas”, diz o diretor.

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“Não se lembra hoje qual o delegado que faz a operação na PF. A PF não tem mais isso. Não tem personalismo. A PF é que faz a operação e assim você protege o delegado que faz a operação. Prestamos conta à população, mas de forma mais discreta”, assinalou.

Indiciamentos 

O número de pessoas indiciadas aumentou, segundo a Polícia Federal. Foram 46 mil no ano passado. Estão nesta lista todos os crimes investigados pela Polícia Federal: tráfico de drogas, crimes de colarinho branco, corrupção passiva, ativa e desvio de recursos.

Esses dados sobre indiciamentos contrastam com relatório divulgado nesta terça-feira pela Fenapef. Para a entidade sindical, em 2013, a PF indiciou 18.325 pessoas. A entidade afirma que houve uma redução de 60% na quantidade de pessoas indiciadas pela PF em comparação com 2010, último ano do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na época, para a Fenapef, ocorreram 46.502 indiciamentos. Para a PF, em 2010, houve 40,6 mil indiciamentos no órgão.

Para a PF, o contraste nos números é fruto de um detalhe metodológico. Os dados da Fenapef, segundo o órgão, refletem informações não consolidadas de um período. A Fenapef, do outro lado, afirma que essas são as informações com base no Sistema Nacional de Informações Criminais (SINIC). “O SINIC é o único sistema que registra os indiciados, é acessado e alimentado com informações processuais pela Justiça, e embasa as folhas e certidões de antecedentes criminais”, afirma a Fenapef.

Atualmente, conforme a PF, existem 12 mil inquéritos em andamento que tratam especificamente de combate à corrupção. Eles investigam desvios da ordem de R$ 15 bilhões. Na prática, de cada dez inquéritos, um está ligado diretamente ao combate à corrupção na PF.

Drogas

Para a PF, o ano passado também foi recorde em termos de apreensão de drogas. Foram apreendidas 38 toneladas de cocaína e 220 toneladas de maconha. O valor de bens apreendidos com os traficantes gira em torno de R$ 80 milhões.

Somente no ano passado, ocorreram 3,1 mil indiciamentos por tráfico de drogas. O número é aproximadamente 15% menor que em 2012, quando ocorreram 3,6 mil indiciamentos. Em comparação com 2010, a queda é de 32% no volume de indiciamentos.

Para a PF, entretanto, essa redução reflete um foco maior nos grandes traficantes do que nos traficantes de menor expressão. Já que mesmo com um menor número de indiciamentos, houve crescimento de 30% na quantidade de maconha apreendida em comparação com 2010; aumento de 40% no volume de cocaína apreendida e crescimento de 430% no valor de bens de traficantes apreendidos.

Já para a Fenapef, em relação ao crime de tráfico de drogas, houve uma redução de 40% no quantitativo de indiciamentos. Segundo a Fenapef, entre 2010 e 2013, o número de indiciados por esse crime caiu de 5.590 para 3.369.

Operações especiais na Polícia Federal
2006 147
2007 183
2008 218
2009 234
2010 252
2011 276
2012 294
2013 301


Indiciamentos por tráfico de drogas
2010 4.696
2011 4.943
2012 3.606
2013 3.142


Apreensão de maconha
2010 154 toneladas
2011 174 toneladas
2012 111 toneladas
2013 220 toneladas


Apreensão de cocaína
2010 27 toneladas
2011 24 toneladas
2012 19,9 toneladas
2013 38 toneladas


Bens apreendidos com narcotraficantes
2010 15 milhões
2011 48 milhões
2012 37 milhões
2013 80 milhões


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